Um estudo inédito realizado pela Eligo Voto, plataforma especializada em assembleias digitais, analisou 3.482 assembleias em 412 condomínios de todas as regiões do país entre janeiro de 2024 e fevereiro de 2025 e revelou que 70% dos conflitos discutidos nas reuniões não têm relação com a pauta oficial, mas sim com problemas de convivência diária entre moradores.
A base inclui 187.900 participantes registrados, consolidando um dos maiores diagnósticos já feitos sobre comportamento condominial no Brasil.
Segundo a análise, situações corriqueiras continuam sendo o estopim da maioria das discussões. Barulho fora de horário (31%), reformas irregulares (18%) e disputas sobre vagas de garagem (15%) lideram o ranking nacional de motivos reais de conflitos, seguidos por casos envolvendo pets (11%) e uso irregular das áreas comuns (9%).
“Esses dados mostram que o que explode nas assembleias não é a pauta técnica, mas a rotina do convívio. O morador chega à reunião já carregando insatisfações que se acumulam há semanas ou meses”, explica Irene Pugliatti, CEO da Eligo Voto.
O levantamento também revela diferenças significativas no comportamento entre formatos de assembleia. As reuniões digitais apresentaram 73% menos interrupções que as presenciais, além de uma redução total de 34% no tempo médio, caindo de 3h32min em 2022 para 1h18min em 2025.
Já os encontros híbridos registraram 41% mais participação qualificada, com mais moradores acessando documentos antes da votação.
“A tecnologia reduz atrito, organiza o tempo e melhora a tomada de decisão. A assembleia deixa de ser um palco para conflito e vira um espaço de consenso”, avalia a executiva.
Além dos motivos individuais de briga, a pesquisa mostra uma escalada estrutural de tensão condominial no país. Entre 2020 e 2025, houve um aumento de 112% nas assembleias que exigiram mediação, e o número de conflitos envolvendo pets cresceu 74%, seguido por vagas de garagem (+52%), obras irregulares (+41%) e barulho (+39%). As regiões com maior concentração de impasses são o Sudeste (49%), o Nordeste (21%) e o Sul (14%).
A pressão emocional dos moradores também cresceu de forma consistente. As assembleias presenciais registram, em média, 22 interrupções por reunião, enquanto as digitais ficam em apenas seis. Antes mesmo de começar, os grupos de WhatsApp e e-mails dos condomínios passaram de 18 mensagens de reclamação em 2020 para 47 em 2025, um salto de 161%.
Para a Eligo Voto, esse comportamento reforça a necessidade de mecanismos mais claros de organização e mediação.
“Com dados em mãos, conseguimos mostrar que o problema não está só na reunião, mas no acúmulo emocional do ambiente condominial. Quanto mais estruturada a comunicação, menor a chance de explosão”, afirma Pugliatti.