Economia PR - Como o Cine Lido investiu mais de R$ 20 mi para movimentar o Centro de Curitiba

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Como o Cine Lido investiu mais de R$ 20 mi para movimentar o Centro de Curitiba

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Foto: Divulgação

O Centro de Curitiba ganha um novo equipamento voltado ao entretenimento e à realização de eventos com a reabertura do antigo Cine Lido. O projeto recebeu investimentos superiores a R$ 20 milhões e foi estruturado pela parceria entre a Planeta Brasil Entretenimento e a SevenX, que reuniram suas experiências para colocar o espaço em operação.

Com proposta de atuar como uma casa premium, intimista e multifuncional, o Cine Lido pretende atender a diferentes formatos de eventos, além de receber shows e artistas de grande porte.

A escolha do Centro também está relacionada à avaliação dos sócios sobre a demanda por espaços para eventos e à oportunidade de contribuir para a movimentação econômica de uma região que busca novos fluxos de atividade.

A operação deve mobilizar cerca de 100 pessoas em uma noite de funcionamento, considerando equipes fixas, profissionais escalados para os eventos e colaboradores que atuam durante o dia. O impacto, segundo os sócios, também se estende a setores como hotelaria, transporte, alimentação, turismo e comércio.

Para falar sobre o projeto, o modelo de negócio e os impactos esperados para Curitiba, o Economia PR Drops conversou com Gian Zambon, um dos sócios do Cine Lido. Confira:

O investimento na reforma e adequação do antigo Cine Lido ultrapassou R$ 20 milhões. Como foi estruturado o investimento e qual é a expectativa de retorno?

Gian: Os investimentos totais ultrapassam a casa dos R$ 20 milhões. Quanto ao retorno desse investimento, temos três cenários: um conservador e outros mais arrojados. No entanto, tudo depende, exatamente, da ocupação média mensal que teremos no Cine Lido e da finalidade de cada evento.

Como foi estruturada a sociedade entre a Planeta Brasil Entretenimento e a SevenX?

Gian: Na verdade, foi uma junção das expertises. Hoje, a gente ainda divide as coisas de maneira muito natural. O negócio em si surgiu a partir de um convite da Planeta, e estamos colocando todos os nossos ativos para viabilizar o projeto. Estamos viabilizando os projetos em duas frentes: tanto nos investimentos quanto nos trabalhos.

Que dados de mercado embasaram a decisão de investir nesse formato e porte de casa de espetáculos em Curitiba, e como vocês avaliam o momento atual do setor de entretenimento ao vivo na cidade?

Gian: A casa foi concebida com base no estudo da demanda que a cidade apresenta. Hoje, temos poucos ou talvez nenhum lugar com as características do Cine Lido, com a mesma capacidade, bem localizado, entre outros diferenciais. Outro ponto importantíssimo é justamente a demanda por locações. Hoje, existe uma dificuldade para encontrar datas disponíveis, inclusive com bastante antecedência, em espaços destinados a eventos em geral, como shows e teatro. As pesquisas apontaram que existe essa demanda e o Lido é um equipamento que vem justamente para atender a essa necessidade.

Quantos empregos diretos e indiretos a operação da casa deve gerar, e há prioridade para contratação e capacitação de mão de obra local?

Gian: O nosso time de colaboradores diretos é formado, basicamente, por profissionais locais. Em uma noite de funcionamento do Lido, considerando os colaboradores fixos e o quadro móvel da noite, somado aos colaboradores que trabalham durante o dia, chegamos a cerca de 100 pessoas. Em relação aos empregos indiretos, acreditamos que o impacto também seja bastante significativo. Se considerarmos apenas a demanda dos 10 ou 12 primeiros shows, envolvendo passagens aéreas, hotéis, vans, carros, hospedagem, alimentação, entre outros serviços, estamos movimentando uma cadeia enorme. E esse impacto certamente tende a crescer, porque está diretamente vinculado ao volume de trabalho da casa. Vale lembrar também que, em algumas situações, para realizarmos dois eventos seguidos, precisamos de equipes diferentes, porque, dependendo do horário de início e término de cada evento, a mesma pessoa não consegue atuar nos dois. Então, as possibilidades de geração de empregos e o impacto econômico dessa operação são, sem dúvida, bastante significativas.

Além dos eventos em si, que impacto econômico esperam gerar no entorno do Centro de Curitiba, considerando comércio, gastronomia, hospedagem e turismo?

Gian: Todas essas frentes têm um impacto direto. O Lido vem como um equipamento transformador para melhorar a qualidade de vida do entorno e transformar a região a ponto de trazer um fluxo enorme no contraturno do Centro. Vamos ter esses impactos para os hotéis, para os turistas e também para as próprias demandas do Lido, como os estabelecimentos que ficam ao lado. Certamente alguns que fecham hoje às 18h vão passar a funcionar até mais tarde, como é o caso do próprio estacionamento e do Lupita, que, até então, tinha um horário reduzido no turno da noite. A gente passa a transformar e movimentar muito a região. O Lido, junto com ele, traz mais um turno para muita gente ali do entorno. E mais um turno é mais emprego, mais faturamento, mais imposto, é mais tudo.

Como o Cine Lido se diferencia das demais casas de espetáculos já consolidadas em Curitiba, e qual é o público-alvo prioritário do negócio?

Gian: O Cine Lido é uma casa que vem para se colocar no lugar de uma casa premium. Uma casa intimista, exclusiva, com uma capacidade não tão grande e uma grade de artistas de grande envergadura. Não considero que a gente tenha outra casa similar, o Lido realmente é único nesse ponto de vista. Se fosse para comparar, eu estaria comparando, em virtude da estrutura, em especial da capacidade e do horário dos shows, aos teatros. Também está localizado no Centro, também é um prédio histórico, então ele está muito mais para um equipamento cultural mesmo do que para uma casa de shows que a gente possa comparar com alguma outra que a cidade tenha.

Existe intenção de expandir o modelo para outras cidades ou de diversificar o uso do espaço além dos shows, com eventos corporativos e locações?

Gian: O projeto foi pensado para que o Lido seja multifuncional. Claro, não vai atender a 100% dos formatos de eventos, mas ele tem uma variedade de eventos e de complexidades que pode atender. E, com relação à ampliação desse projeto, podemos vir a pensar em outras casas, em outros espaços, mas, como o Lido, eu acho que não. Porque o Lido tem essa coisa de estar no lugar certo, de ser um prédio histórico, de ter essas características do próprio projeto, como o tamanho do pé-direito, que, para nós, é muito bom, na questão de casa de shows. Eu acho que ele é uma coisa muito única nesse sentido, porque preenche vários requisitos. Agora, claro, gestão e administração de casas é uma coisa que, com certeza, a gente vai pegando a mão, vai aprimorando e, sem dúvida nenhuma, acho que, no futuro, é olhar para outras oportunidades, mas não necessariamente reproduzir o Cine Lido.

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