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PR sedia encontro de laboratórios farmacêuticos oficiais do Brasil

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Foto: Fábio Carvalho

Curitiba sediou, pela primeira vez, o II Encontro dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil, promovido pela Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil (Alfob). O evento reuniu 250 participantes, entre profissionais de laboratórios públicos, pesquisadores, autoridades e especialistas da indústria farmacêutica.

As discussões trataram dos desafios e das oportunidades para o futuro da produção farmacêutica pública no país. A realização na capital paranaense aproximou instituições do Paraná de representantes de todo o Brasil.

Papel das mulheres abre a programação

O debate sobre a participação das mulheres na indústria farmacêutica abriu os trabalhos do evento, em uma roda de conversa conduzida pela jornalista Juliana Karam. Profissionais de laboratórios públicos, instituições de pesquisa e outras áreas do setor compartilharam experiências e desafios da atuação feminina.

Entre os relatos, estiveram presentes falas de mulheres que ocupam posições de gestão e direção no setor.

Paraná tem três instituições associadas à Alfob

A escolha do Paraná como sede destacou sua participação na rede nacional de Laboratórios Oficiais. O estado conta com três instituições associadas à Alfob: o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI).

As instituições atuam em diferentes frentes ligadas à pesquisa, ao desenvolvimento e à produção de insumos, medicamentos, imunobiológicos e outras soluções para a saúde pública.

De acordo com o presidente da Alfob, Djalma Dantas, a realização do encontro em diferentes regiões do país permite aproximar os participantes da realidade dos laboratórios públicos de cada localidade.

“Os laboratórios públicos paranaenses são relevantes e de importância para a produção de insumos para o Ministério da Saúde. Neste ano escolhemos o Paraná para valorizar a região e os laboratórios que estão instalados aqui. É um encontro que fazemos para compartilhar experiências e tratar de possibilidades de parcerias e de troca de informação. Representantes dos laboratórios públicos, do Ministério da Saúde e de laboratórios privados têm interesse em participar para discutir como a indústria farmacêutica no Brasil está se comportando, quais são as dificuldades e quais são as oportunidades”, afirma Djalma Dantas.

Tecnologia e Indústria 4.0 no debate

A programação colocou em pauta as transformações tecnológicas que já impactam a indústria farmacêutica, como inteligência artificial, automação, inovação aberta e conceitos associados à Indústria 4.0.

Para os Laboratórios Oficiais, essas mudanças estão relacionadas à busca por maior produtividade e capacidade de produção, ao uso qualificado de informações e à adoção de práticas de sustentabilidade e transparência na aplicação de recursos públicos.

Novo marco legal dos Laboratórios Oficiais

Um dos temas relevantes do encontro foi o novo marco legal dos Laboratórios Oficiais. A Lei nº 15.471/2026 estabelece diretrizes relacionadas às empresas estratégicas em saúde e aos produtos estratégicos em saúde, criando perspectivas para a atuação das instituições públicas.

A regulamentação da legislação envolve o Ministério da Saúde e uma comissão interministerial. Ela deverá definir critérios e procedimentos com impacto sobre a produção, o desenvolvimento tecnológico, as parcerias e a capacidade de resposta dos Laboratórios Oficiais às demandas do SUS.

Tecpar destaca ineditismo do evento em Curitiba

O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon Silva, destacou o ineditismo de Curitiba receber o encontro e a importância da integração entre as instituições. Segundo ele, a troca de experiências contribui para o desenvolvimento conjunto dos Laboratórios Oficiais e para a saúde pública brasileira.

“A Alfob reúne laboratórios de nove estados brasileiros e o evento serve para promover essa troca, de forma a fortalecer o sistema de laboratórios oficiais e, por consequência, a saúde pública brasileira. O Tecpar, laboratório público do Governo do Paraná, tem intensificado sua atuação e levou ao encontro suas ações para promover soluções tecnológicas na área da saúde”, conta Eduardo Marafon Silva.

IBMP aposta em diagnóstico e transferência de tecnologia

No IBMP, a atuação combina pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação voltada às necessidades do sistema de saúde. Entre as iniciativas estão o desenvolvimento de kits de reagentes para diagnóstico, projetos de inovação local e diferentes cases de transferência de tecnologia.

Um dos projetos de destaque é o Wolbito do Brasil, iniciativa que utiliza mosquitos com características específicas para contribuir com o enfrentamento de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. O instituto também atua no desenvolvimento e na transferência de tecnologias nacionais.

A busca por maior autonomia nacional na produção de medicamentos, insumos e tecnologias concentrou atenções no evento. Para o diretor-presidente do IBMP, Pedro Ribeiro Barbosa, reduzir a dependência de produtos importados é um dos desafios do setor.

“Por ano, o Brasil compra não menos que 20 bilhões de dólares. O objetivo é reverter isso, com produção, desenvolvimento da indústria e oferta de qualidade de saúde para a população brasileira”, explica Pedro Ribeiro Barbosa.

CPPI destaca integração entre pesquisadores e produtores

O CPPI atua na produção e pesquisa de imunobiológicos, contribuindo para o atendimento de demandas do SUS. Para o diretor-geral do CPPI, Rubens Luiz Ferreira Gusso, receber o encontro em Curitiba oportunizou a aproximação de pesquisadores, cientistas, produtores e autoridades.

“Foi uma honra para nós, de Curitiba, do Estado do Paraná, recebermos o segundo encontro dos Laboratórios Oficiais do Brasil. Nós, do Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos, nos incorporamos a esse movimento de organização dos laboratórios públicos e de apoio e conquistas para o Sistema Único de Saúde. O ponto alto foi o diálogo entre grandes pesquisadores, cientistas, produtores e autoridades, propiciando momentos de elevação e enriquecimento do sistema nacional”, afirma Rubens Luiz Ferreira Gusso.

Inovação e sustentabilidade seguem no radar do setor

As transformações da indústria farmacêutica estiveram entre os principais temas do encontro. O avanço da inteligência artificial, da automação, da inovação aberta e de soluções associadas à Indústria 4.0 foi discutido junto à necessidade de adoção de práticas de sustentabilidade, produtividade e transparência.

Para os Laboratórios Oficiais, a incorporação dessas tecnologias está relacionada à capacidade de responder às novas demandas do setor, aumentar a eficiência dos processos e desenvolver soluções adequadas às necessidades da saúde pública. O debate ocorre em um momento de mudanças na indústria farmacêutica, com maior demanda por inovação, desenvolvimento tecnológico e redução da dependência externa.

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