Kaique William Ventura Camacho, competidor do Senai Paraná, embarcou na última quinta-feira (17) para Xangai, na China, onde vai representar o Brasil na 48ª edição da WorldSkills Internacional, considerada a maior competição de profissões técnicas do mundo. Ele disputa a ocupação #60, Tecnologia Optoeletrônica, ao lado de mais de 1.400 competidores de mais de 70 países.
Kaique é natural de Campo Mourão e fez o curso Técnico em Eletrotécnica no Senai Paraná.
Da eletrotécnica à optoeletrônica
“É uma tecnologia que está emergindo. Uma tecnologia que mescla a parte ótica (luz e fótons) e a elétrica, mais voltada pra eletrônica”, explica Kaique sobre a ocupação que disputa.
Na prática, a tecnologia se desdobra em duas aplicações: a automação residencial, com sistemas que melhoram o controle de consumo de energia e são “muito visados na indústria”, e a parte visual, presente em painéis de LED, telas usadas em marketing, fachadas de lojas e mangueiras de LED.
O curso técnico que sustenta esse repertório é, segundo ele, propositalmente amplo.
“O curso técnico em eletrotécnica é muito abrangente. Pega várias áreas da elétrica em si: um pouco de eletrônica, um pouco de elétrica residencial, um pouco de elétrica industrial, um pouquinho de automação.”
Da fábrica ao pódio
O interesse de Kaique por automação surgiu na empresa do próprio pai, focada em equipamentos para a área de alimentos, onde ele atuava na parte de elétrica, eletrônica e automação dos equipamentos.
“Foi lá que eu descobri realmente a minha paixão por automação”, conta.
Antes da Optoeletrônica, Kaique havia disputado a etapa estadual na ocupação #19, Controle Industrial. Na época, ele trabalhava pela manhã, treinava à tarde para a WorldSkills e cursava a faculdade de Engenharia Eletrônica à noite.
“Foi um tempo muito, muito difícil”, resume.
Quando a nova modalidade surgiu, ele fez uma escolha: “quando fui pro nacional, foquei só no treinamento e parei de trabalhar na empresa do meu pai.”
Com a proximidade da competição mundial, também pausou a graduação para se dedicar exclusivamente ao treinamento.
O investimento resultou em medalha de prata na etapa nacional da WorldSkills Brasil 2025, na ocupação Tecnologia Optoeletrônica, disputada pela primeira vez no país. Meses depois, quando o medalhista de ouro comunicou que não poderia seguir para a etapa mundial, Kaique assumiu a vaga do Brasil rumo a Xangai.
Uma tradição de família no Senai
“Minha história com o Senai começou antes mesmo de eu nascer”, diz Kaique.
Seu avô, Tede William Gomes Camacho, deu aula no Senai e foi gerente de várias unidades da instituição, entre elas a de Campo Mourão. O pai de Kaique, Eder William Costa Camacho, foi técnico de ensino e depois assumiu a gerência da mesma unidade onde o filho estudaria anos depois. Um tio também chegou a lecionar ali.
“Sou a terceira geração da minha família no Senai. Senai tá na veia desde que eu nasci. Quando meu pai assumiu a gerência em Campo Mourão, eu ficava lá com ele várias vezes. Meus professores me conhecem desde piazinho”, resume Kaique.
“É muito louco. Porque eu nunca pensei que poderia chegar nesse nível. Mas sempre batalhei para isso. É muito bom ver essas conquistas que o time de Campo Mourão conseguiu ter comigo. É uma conquista não só para mim, mas para eles também”, diz, mencionando o apoio do seu treinador, Anderson Graciano de Oliveira, e da própria escola.
O que a WorldSkills muda em quem participa
Para Kaique, a experiência vai muito além da medalha.
“A WorldSkills não é apenas uma competição. Ela muda o jeito como você pensa e o jeito que você age enquanto você trabalha. Te deixa mais ágil e faz você pensar de maneira mais lógica. Mudou muito a forma como eu trabalho.”
Sobre unir formação técnica e ensino superior, ele defende a vantagem de começar cedo.
“Faz total diferença você fazer um curso técnico. Eu vejo que muitas pessoas que saem do ensino médio comum, sem nenhum tipo de contato com a área técnica, ainda têm que aprender do zero o que eu já sabia. Você já sai um pouco na frente.”
Reta final rumo a Xangai
Antes de viajar para a China, o treino foi intenso.
“Estou muito confiante: os treinamentos são intensivos, aprendendo muita coisa nova, alinhando técnicas e processos pra melhorar cada vez mais o nível de qualidade”, contou Kaique.
Segundo ele, a Tecnologia Optoeletrônica ainda está se consolidando como ocupação oficial da WorldSkills Internacional.
“A expectativa é enorme. Para mim é um sonho estar aqui, passando por todos esses ciclos”, afirma.
Kaique integra o grupo de cinco competidores do Paraná que vão defender o Brasil na WorldSkills Xangai 2026, ao lado de Davi da Silva Aleixo Ignacio (Construção em Alvenaria), Erán Martínez Ramos (Design de Mídias Digitais Interativas), Gabriel Henrique Gobato de Oliveira (Computação em Nuvem) e Kauan Henrique Martinello Nazario (Tecnologia Automotiva).