O Instituto Federal do Paraná (IFPR) participa, até o dia 26 de setembro, de uma missão institucional à China. A comitiva percorre as cidades de Pequim, Alaer e Chengdu com o objetivo de ampliar parcerias em ensino, pesquisa e mobilidade acadêmica, com foco na área de medicina tradicional chinesa.
A viagem é um dos primeiros resultados do acordo de cooperação firmado pelo IFPR em junho deste ano. O convênio reúne o Instituto de Ciência e Cultura Brasil–China (IBCC) e a Academia Chinesa de Ciências Médicas Tradicionais (CACMS), e prevê ações formativas no Brasil e intercâmbios de estudantes e servidores.
Memorando com universidade chinesa de medicina tradicional
Em Pequim, a comitiva se reuniu com representantes da Universidade de Medicina Tradicional Chinesa de Heilongjiang. O grupo conheceu iniciativas da instituição, entre elas trabalhos relacionados às pesquisas de Tu Youyou, vencedora do Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2015.
O encontro resultou na assinatura de um memorando de intenções voltado à futura celebração de um acordo de cooperação técnica. Segundo o reitor do IFPR, Adriano Pereira, o documento abre caminho para novas oportunidades de mobilidade acadêmica e formação profissional.
“O memorando prevê a realização futura de intercâmbios de servidores e estudantes e a implantação de cursos na área de acupuntura pelo Instituto Federal do Paraná, que já oferta cursos na área de massoterapia”, afirma Pereira.
Novo curso de acupuntura deve começar como especialização
Os planos para a criação dos cursos ocorrem no contexto da regulamentação do exercício profissional da acupuntura no país, estabelecida pela Lei nº 15.345, de 12 de janeiro de 2026. Segundo o reitor, o IFPR pretende iniciar a formação na área com uma especialização.
“Primeiramente, queremos ofertar uma especialização em acupuntura e, futuramente, também um curso de graduação”, explica Pereira.
A programação em Pequim também incluiu uma visita técnica ao Instituto de Teoria Fundamental da Medicina Tradicional Chinesa, vinculado à CACMS. Entre as propostas discutidas estão o desenvolvimento de um sistema terminológico bilíngue, em chinês e português, e a criação de um laboratório de pesquisa em dor crônica e práticas integrativas e complementares.
Outras parcerias em discussão
Outra possibilidade avaliada durante a missão é a oferta de cursos de mandarim voltados a falantes de português. A agenda também prevê projetos em parceria com o IBCC, entre eles a tradução de manuais de acupuntura e medicina tradicional chinesa para o português, com participação de professores e pesquisadores do IFPR.
A cooperação poderá abranger ainda estudos de caráter científico e cultural sobre possíveis relações entre os conhecimentos dos povos originários e elementos da cultura oriental. Uma das frentes mencionadas envolve o Caminho do Peabiru.
“Estamos buscando parcerias para que o Instituto Federal do Paraná também faça parte dessa ação, que tem caráter científico e cultural e busca resgatar o caminho dos povos originários, o Caminho do Peabiru”, afirma o reitor.
Agenda segue em Alaer e Chengdu
Na etapa de Alaer, os representantes do IFPR participam de um seminário internacional no Hospital Alaer. A programação prevê apresentação institucional do instituto e reuniões com pesquisadores e gestores sobre possíveis cooperações nas áreas de apneia do sono, pesquisa científica e formação de recursos humanos.
A missão termina em Chengdu, onde a comitiva participa do 11º Concurso de Inovação e Empreendedorismo para Chineses Ultramarinos, o Haike Cup. O evento inclui a apresentação de um projeto de cooperação entre China e Brasil, conduzido pelo professor Yu Tao, além de reuniões institucionais, visitas técnicas e atividades culturais.
Integram a comitiva o reitor do IFPR, professor Adriano Willian da Silva Viana Pereira, o diretor de Relações Internacionais, professor Daniel Bussolaro, e o professor Jaime Amador Soares, do Campus Curitiba. A missão é parcialmente financiada por uma das instituições chinesas anfitriãs.