A Smart Energy 2026, Conferência Internacional de Energias Inteligentes, começa nesta terça-feira (22), em Curitiba, com uma programação dedicada a temas como transição energética, eficiência, inovação tecnológica e competitividade. O evento segue até quarta-feira (23), no Campus da Indústria do Sistema Fiep.
Realizada simultaneamente ao Fórum de Eficiência Energética, a conferência terá 36 atividades entre palestras, painéis, diálogos e estudos de caso. A programação reúne representantes de empresas, universidades, instituições de pesquisa, órgãos públicos e entidades do setor energético.
Entre os assuntos previstos estão mercado livre de energia, eletrificação, digitalização, inteligência artificial, descarbonização, mobilidade, biometano, energias renováveis, baterias e novas tecnologias.
Segurança jurídica e competitividade
A abertura da programação terá como destaque a palestra de Leandro Caixeta Moreira, superintendente de Gestão Tarifária e Regulação Econômica da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O tema será “Segurança jurídica e gestão tarifária como pilares para a transição e a modernização do setor elétrico brasileiro”.
Na sequência, o painel “Energia como Vetor da Competitividade Regional: Planejamento, Resiliência e Desenvolvimento Regional” reunirá representantes dos setores energético e industrial do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A discussão abordará questões relacionadas à segurança energética, planejamento e competitividade regional.
Entre os participantes está Ricardo Pigatto, coordenador do Grupo Temático de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), que defende maior simetria nas condições de financiamento entre as diferentes regiões do país.
“Precisamos de condições mais competitivas para a nossa indústria. A falta de simetria econômica frente a outras regiões do país, especialmente o Nordeste, prejudica a competitividade da região do Sul”, afirma.
Uma das propostas citadas no debate é a PEC 27/2023, que prevê a criação de Fundos Constitucionais de Financiamento das Regiões Sul e Sudeste. A proposta está apensada à PEC 231/2019 e tramita em comissão especial da Câmara dos Deputados. Em julho, o colegiado aprovou parecer do relator pela aprovação das propostas na forma de um substitutivo.
Eficiência energética e indústria
A programação da tarde do dia 22 terá atividades simultâneas do Fórum de Eficiência Energética e do auditório principal.
No fórum, serão discutidos temas como atualizações do Programa de Eficiência Energética da Aneel, produtividade industrial, certificação profissional e perspectivas para o mercado de eficiência energética.
Entre os estudos de caso estão projetos relacionados à indústria, saneamento e gestão de energia.
No auditório principal, os debates incluem a eletrificação, o mercado livre de energia, digitalização e conectividade da infraestrutura energética e reserva de capacidade.
Também está prevista uma discussão sobre eventos climáticos extremos e o chamado gap de seguros, diferença entre os prejuízos provocados por catástrofes e a parcela desses danos coberta por seguros.
Segundo dados apresentados pelo palestrante Marcus Macedo Gallagher, os eventos catastróficos registrados no primeiro semestre de 2026 provocaram US$ 96 bilhões em prejuízos sem cobertura de seguros, enquanto US$ 35 bilhões em perdas tiveram cobertura. Os números serão apresentados durante a programação do evento.
Biometano, descarbonização e mobilidade
No segundo dia, os debates avançam para novas rotas tecnológicas e alternativas de redução de emissões.
Entre os temas estão biometano na rede de gás canalizado, descarbonização do transporte pesado e caminhos para o uso de hidrocarbonetos renováveis.
A programação também terá um painel sobre transição energética que reunirá eficiência energética e operacional, fontes renováveis e mobilidade elétrica.
À tarde, o debate sobre eficiência energética e mobilidade abordará a transformação do setor automotivo, dos motores a combustão à eletrificação, considerando também modelos híbridos, biocombustíveis e outras tecnologias.
Financiamento e novas tecnologias
Outro painel do dia 23 será dedicado ao fomento à transição energética e à inovação de baixo carbono, com participação de representantes da Finep e da Itaipu.
A discussão abordará instrumentos de financiamento e apoio a projetos de inovação relacionados à transição energética e à descarbonização.
A Itaipu também apresentará iniciativas relacionadas ao desenvolvimento de tecnologias para produção de biocombustíveis, biogás, biometano e hidrogênio de baixo carbono.
O encerramento da programação terá como tema “Baterias: Metrologia, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico Industrial”, com participação de representantes da multinacional chinesa Fujian Nebula Electronics.
Segundo a organização, a edição de 2026 busca ampliar a integração entre indústria, academia e governo e consolidar o Smart Energy como uma plataforma permanente de discussão sobre o setor energético.