Uma pesquisa realizada pela QualiBest, a pedido do Wellhub, ouviu 312 trabalhadores de Curitiba e Região Metropolitana. O estudo mostra que 48% apontam estresse, ansiedade, desânimo ou esgotamento emocional entre os principais fatores que prejudicam o bem-estar.
Ao mesmo tempo, 76% avaliam a qualidade de vida na cidade como boa ou ótima. Apenas 46% concordam que suas empresas se preocupam com o bem-estar dos colaboradores. O levantamento faz parte do Mapa do Bem-Estar do Trabalhador Brasileiro.
Desafios emocionais lideram as preocupações
Os desafios emocionais ficam à frente de problemas financeiros (31%), qualidade do sono (27%), tempo de deslocamento no trânsito (20%) e falta de atividade física (19%).
Entre os sintomas relatados de forma frequente ou contínua, aparecem:
- ansiedade ou preocupação excessiva (45%);
- esgotamento emocional ao final do expediente (38%);
- sensação de falta de energia (36%);
- estresse intenso (34%);
- irritabilidade acima do habitual (33%).
Exercícios: espaços públicos ajudam, falta de tempo atrapalha
Segundo o estudo, 68% praticam exercícios regularmente, com frequência média de 2,9 vezes por semana. Os locais mais citados são parques e áreas ao ar livre da capital (38%), academias de bairro (36%) e grandes redes de academias (33%).
Entre quem não pratica atividades físicas ou se exercita menos do que gostaria, os principais obstáculos são a falta de tempo (58%), a dificuldade para estabelecer uma rotina (52%) e a falta de ânimo ou disposição ao fim do dia (50%).
Tempo de tela e inteligência artificial
Os trabalhadores passam, em média, 6,3 horas por dia em dispositivos digitais. Entre jovens de 18 a 30 anos, a média sobe para 6,8 horas. No total, 55% dedicam seis horas ou mais por dia às telas, e 66% afirmam passar mais tempo diante dos dispositivos do que gostariam. Outros 33% já percebem impactos negativos do tempo de tela sobre a saúde e o bem-estar.
A inteligência artificial é vista como aliada da produtividade por 71% dos trabalhadores. O percentual chega a 84% na classe A e a 81% entre profissionais com ensino superior completo. Outros 65% relatam impactos positivos da tecnologia sobre a saúde e o bem-estar. Apenas 9% demonstram preocupação intensa com a possibilidade de substituição de suas funções pela automação.
Apostas online e saúde financeira
Os problemas financeiros são o segundo fator mais citado entre os que prejudicam o bem-estar. Por isso, a pesquisa também investigou as apostas online (bets).
Segundo o levantamento, 57% dos entrevistados fizeram alguma aposta online nos últimos oito meses. Apenas 10% afirmam apostar com frequência.
A participação é maior entre profissionais da classe A (69%) do que entre os da classe B (50%). Também é maior entre os homens (63%) do que entre as mulheres (53%).
Percepção sobre o cuidado das empresas
A percepção dos trabalhadores sobre o compromisso das empresas com o bem-estar é dividida. Enquanto 46% concordam que suas organizações demonstram preocupação com a saúde e a qualidade de vida, 30% discordam.
Os principais fatores associados à percepção de cuidado são a oferta de um bom plano de saúde (60%), benefícios de alimentação e refeição (41%) e acesso a plataformas de bem-estar corporativo, como o Wellhub (40%).
Já os principais sinais de falta de cuidado são a ausência de programas estruturados de bem-estar (38%), a baixa remuneração (36%) e a falta de programas de saúde mental (35%). Um em cada quatro profissionais (25%) afirma não contar com nenhuma iniciativa estruturada de bem-estar na empresa.
“Os resultados de Curitiba mostram que o bem-estar vai muito além da saúde física. A pressão emocional, as preocupações financeiras e a dificuldade para manter hábitos saudáveis fazem parte da realidade dos trabalhadores e impactam diretamente sua qualidade de vida. Cada profissional tem necessidades e desafios diferentes, e as empresas precisam reconhecer essa diversidade para oferecer um suporte que faça sentido na rotina de suas equipes. O cuidado com a saúde não deve começar quando um problema já se manifestou, mas fazer parte do dia a dia, de forma preventiva e contínua. É essa mudança de perspectiva que permite construir ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis”, afirma Ricardo Guerra, líder do Wellhub no Brasil.
Benefícios desejados e oferecidos
A pesquisa identificou diferenças entre os benefícios que os trabalhadores gostariam de receber e os que as empresas oferecem:
- benefícios flexíveis de bem-estar: 39% gostariam de ter acesso, e apenas 14% afirmam que as empresas oferecem;
- programas de qualidade de vida e atividade física: 35% desejam, e 21% dizem que são oferecidos;
- apoio psicológico e atendimento terapêutico: 35% desejam, e 21% dizem que são oferecidos;
- benefícios para atividade física e capacitação de lideranças: as duas categorias têm diferença de 12 pontos percentuais entre o interesse dos trabalhadores e a oferta.
Metodologia
O estudo é quantitativo e foi feito online com o Painel QualiBest, entre 31 de agosto e 10 de setembro de 2026. A amostra tem 312 entrevistas estruturadas com homens e mulheres de 18 a 59 anos, moradores de Curitiba e Região Metropolitana. Do total, 93% têm vínculo CLT e 7% são PJ com contrato exclusivo. Todos pertencem às classes A, B e C. A margem de confiança é de 95%.