Um teste de resiliência operacional para a produtividade comercial. Atualização da NR-1, Copa do Mundo, eleições, mudanças tributárias e um ambiente digital cada vez mais ruidoso fragmentam o capital intelectual das equipes e dificultam o foco e vão exigir um esforço ainda maior para manter a consistência dos negócios neste denso 2026 que se desenha.
Vem comigo perceber cada ponto mencionado:
– As empresas já tiveram um tempo para adaptação, e a partir de maio deste ano serão fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego sobre a atualização da NR-1, exigindo que as organizações façam o mapeamento e o gerenciamento de riscos psicossociais do PGR – Plano de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, conjunto de diretrizes que visa melhoria contínua das condições da exposição dos trabalhadores por meio de ações multidisciplinares e sistematizadas, com foco na sustentabilidade do capital humano na empresa.
Vale ressaltar que o propósito é buscar a sinergia entre produtividade e bem-estar, além de fomentar a criação de ambientes de trabalho mais saudáveis e seguros. Um desafio? Sim, mas possível de construir de maneira sólida e eficaz.
– Copa: os primeiros jogos estão previstos para horários das 19h e 22h. O gestor precisa calibrar o cronograma produtivo com o engajamento emocional?
Deve usar como elemento para gerenciar o clima organizacional ou isso não vale nestes contextos?
É só um jogo ou vale para o contexto da minha empresa? Não há respostas certas. É necessário avaliar o que cabe de acordo com a cultura da organização, o que é conveniente e oportuno para o seu público e o seu segmento.
– A escolha do novo presidente da república, dos senadores e do governador do estado mexe com a economia do país. Uns apostam, outros recuam e aguardam para ver as cenas dos próximos capítulos.
Como aponta o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada: em suas revisões de conjuntura, o órgão projeta um crescimento de 1,6% para 2026, citando a desaceleração do consumo. Já a CNI (Confederação Nacional da Indústria) projeta 1,8%, de crescimento apenas, sendo o ritmo mais fraco desde 2020 (pandemia), devido ao “aperto monetário” (juros altos). Se isso vai se consolidar, já é outra história…
– A reforma tributária trouxe várias mudanças, e destaco aqui sobre a implantação do CBS e do IBS: Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS, que substituirá PIS, COFINS e IPI, todos federais); e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), sucessor do ICMS (estadual) e ISS (municipal), com emissões fiscais individualizados por operação.
Conforme informações do Governo Federal, a empresa que cometer erros no envio de informações e/ou outras falhas não será punida, desde que aja com boa-fé e esteja no processo de adequação ao novo sistema. Definitivamente, será um ano que vai exigir muita resiliência.
– Ambiente digital: interrupções constantes por mensagens, notificações e estímulos externos a todo instante fragmentam a atenção reduzem a concentração, é o que diz o relatório Work Trend Index 2024, da Microsoft. Este cenário afeta a produtividade e trazem prejuízos mentais, para o relacionamento da equipe (comunicação).
Sem falar da reverberação do conceito do termo “Brain Rot” (apodrecimento cerebral), que ampliou a discussão sobre saúde mental. Não por menos, a atualização da NR-1 chega gritando…
Ainda, sai de cena o FOMO (medo de perder algo nas redes) entra o JOMO (Joy of Missing Out – novo modo de ficar em “paz” por estar fora das tendências passageiras, e com isso, ter mais “tranquilidade mental”.
Veremos muitos desdobramentos sobre os reflexos do uso das telas.
O ano de 2026 contempla ainda vários feriados nacionais que vão rechear as “pontes” ou “emendas” para quem quer dar aquela “esticadinha” no fim de semana.
O tradicional Carnaval é um importante desta lista. De um lado: o aquecimento ao turismo – um grande ativo por outro, mais uma preocupação para alguns segmentos.
Seguimos sem muitas respostas ao som de sambas-enredo na TV aberta e com a dúvida: o ano só começa depois do Carnaval?