Um grupo empresarial ligado ao agronegócio no Sudoeste do Paraná conseguiu aprovar um plano de recuperação judicial para reestruturar um passivo de aproximadamente R$ 15 milhões. A negociação prevê deságio de 80% e prazo de 16 anos para pagamento das dívidas, com correção pela Taxa Referencial (TR).
O caso envolve o Grupo Schunck, formado pela Agro Schunck Ltda. e três produtores rurais. Com raízes na agricultura familiar desde 1990, o grupo desenvolve suas atividades no Sudoeste paranaense. A Agro Schunck está sediada em Pato Branco, e a atividade dos produtores envolve culturas como soja, milho, trigo e feijão.
Deságio de 80% e prazo de 16 anos
A PS Consultoria atuou na frente estratégica da recuperação, trabalhando na estruturação econômico-financeira e nas negociações necessárias para adequar o pagamento do passivo à capacidade financeira do negócio.
“Por trás da aprovação de um plano existe uma construção econômica muito grande. É preciso entender quanto a empresa efetivamente consegue pagar, em quanto tempo, quanto de caixa precisa permanecer na operação e como transformar tudo isso em uma proposta que também possa ser negociada com os credores. Neste caso, chegamos a uma condição de 80% de deságio e prazo de 16 anos para pagamento”, explica Pedro Siqueira, especialista em reestruturação empresarial e recuperação judicial da PS Consultoria.
Impacto do endividamento na operação
Um dos problemas enfrentados pelo grupo estava no impacto do endividamento sobre a operação. Conforme a documentação judicial, o custo financeiro das dívidas vinha direcionando recursos do capital de giro da atividade produtiva para o pagamento de juros, correções e multas.
A recuperação judicial surge, nesse contexto, como instrumento para reorganizar as obrigações e buscar a continuidade da atividade econômica. Para empresas ligadas ao agronegócio, a preservação de caixa ganha ainda mais importância diante dos ciclos de produção e da necessidade constante de recursos para manter a operação.
Atuação conjunta com a condução jurídica
É na integração entre finanças, gestão, negociação e Direito que a PS Consultoria vem atuando em processos de reestruturação. No caso do Grupo Schunck, a consultoria não foi responsável pela condução jurídica, que ficou a cargo do escritório de advocacia constituído pelo grupo.
A PS atuou de maneira consultiva e estratégica, com Pedro Siqueira e Bruno Vaz trabalhando conjuntamente na análise e estruturação do processo.
“O advogado tem uma função fundamental na condução jurídica, mas a recuperação precisa funcionar também fora dos autos. A empresa continua comprando, vendendo, produzindo, pagando funcionários e precisando gerar caixa. Nosso trabalho é olhar para essa realidade, auxiliar nas negociações e ajudar a construir uma condição que seja economicamente viável para o devedor”, afirma Siqueira.
Esse modelo permite que a PS Consultoria seja contratada tanto diretamente por empresas em dificuldade financeira quanto por escritórios de advocacia que buscam complementar a condução jurídica de uma recuperação com análise econômica, financeira, empresarial e apoio nas negociações com credores.
Resultado não deve ser medido apenas pelo desconto
Apesar de os 80% de deságio serem um dos números que mais chamam atenção no caso, Siqueira ressalta que uma recuperação bem-sucedida não deve ser medida somente pelo percentual de redução da dívida.
“O objetivo não é simplesmente conseguir o maior desconto possível. Uma recuperação bem estruturada precisa encontrar uma equação que preserve uma empresa economicamente viável e permita que aquilo que foi negociado seja efetivamente cumprido. O melhor plano não é apenas aquele que consegue ser aprovado, mas aquele que cria condições para o negócio atravessar a crise, se reorganizar e voltar a crescer”, conclui Siqueira.