O Paraná está deixando de ser apenas um polo de criação de startups para ganhar relevância também como mercado de trabalho para profissionais de alta qualificação. O Estado chegou a 2.457 startups, entre empresas formalizadas e negócios em fase de validação, crescimento de 39,7% entre 2023 e 2025, segundo levantamento do Sebrae/PR.
O avanço do ecossistema acompanha a expansão das equipes: somente as 170 startups residentes na HOTMILK, hub de inovação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), já empregam 1.434 profissionais.
O movimento ocorre em um mercado de trabalho que também vem crescendo. Em 2025, o Paraná foi o Estado que mais gerou empregos formais na Região Sul, com 80,6 mil novas vagas com carteira assinada, segundo dados do Caged.
Dentro do universo de startups, o avanço chama atenção não apenas pelo número de postos criados, mas pelo perfil das posições. À medida que os negócios ganham escala, a demanda deixa de se concentrar exclusivamente em desenvolvedores e profissionais de tecnologia e passa a incluir áreas como dados, vendas B2B, produto, marketing, finanças, operações e gestão.
Startups mais maduras ampliam equipes
A expansão do mercado de trabalho acompanha uma mudança no perfil das próprias startups paranaenses. Segundo o Sebrae/PR, 70% das startups formalizadas no Estado têm mais de três anos de existência, indicador de um ecossistema que começa a superar a fase inicial de experimentação e validação de modelos de negócio.
Outro dado reforça essa maturidade: 76,7% das startups utilizam o bootstrapping, modelo em que o crescimento é financiado principalmente com recursos próprios e a receita gerada pela operação. Segundo o levantamento, em um cenário de maior seletividade para investimentos de venture capital, a capacidade de gerar receita e sustentar a própria expansão ganha peso nas estratégias dessas empresas.
“À medida que as startups amadurecem, a necessidade deixa de ser apenas desenvolver uma solução e passa a ser construir uma empresa capaz de crescer de forma sustentável. Isso muda também o perfil das contratações. Além da área de tecnologia, surgem demandas por profissionais de vendas, marketing, finanças, operações e gestão, criando um mercado de trabalho cada vez mais diversificado dentro do ecossistema de inovação”, afirma Aline Scarpin, gerente de inovação corporativa da HOTMILK.
Programa estadual também gera empregos no setor
O impacto da expansão também aparece em iniciativas de fomento. As 68 startups apoiadas pela primeira edição do programa Paraná Anjo Inovador, do Governo do Estado, geraram 378 empregos diretos e indiretos.
Segundo o programa, 61% das empresas participantes já haviam alcançado o breakeven, ou seja, o ponto de equilíbrio financeiro.