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O custo de adiar decisões também aparece no resultado do negócio

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Foto: rawpixel.com

Na gestão empresarial, nem toda perda nasce de uma escolha equivocada. A demora para rever estratégias, definir prioridades ou responder às mudanças do mercado também pode comprometer a competitividade e consumir recursos.

Uma decisão errada costuma deixar rastros. Pode aparecer em um investimento que não trouxe o retorno esperado, em uma contratação malsucedida ou em uma estratégia comercial que não funcionou.

Mas existe outro tipo de custo, menos evidente e nem sempre contabilizado: aquele provocado pelas decisões que uma empresa deixa de tomar.

Adiar uma mudança de posicionamento, postergar a revisão de processos ou manter indefinidamente um projeto sem resultados pode transmitir uma sensação de prudência. Afinal, decidir envolve riscos.

O problema começa quando a espera deixa de ser parte de uma análise criteriosa e passa a substituir a própria decisão.

Nesse cenário, a ausência de movimento não significa necessariamente estabilidade. Enquanto uma empresa permanece avaliando possibilidades, seus custos continuam existindo, as expectativas dos consumidores podem mudar e os concorrentes seguem tomando decisões.

A lentidão nas decisões tem um custo para as empresas?

A dificuldade de tomar decisões não é um problema restrito a negócios de pequeno porte. Uma pesquisa da consultoria McKinsey, publicada em 2019, mostrou que 61% dos participantes consideravam ineficaz a maior parte do tempo dedicado à tomada de decisões em suas organizações. Apenas 20% afirmaram que suas empresas se destacavam nessa atividade.

O levantamento revela uma percepção relevante sobre a eficiência dos processos decisórios. Não significa, porém, que 61% das empresas estejam perdendo dinheiro por adiar escolhas (ufa!). Essa relação depende de fatores como o tipo de decisão, o momento do mercado e os recursos envolvidos.

Ainda assim, os resultados ajudam a dimensionar uma questão frequentemente subestimada na gestão: decidir também exige tempo, pessoas e recursos. Quando processos se prolongam sem produzir encaminhamentos, a própria discussão pode se transformar em uma fonte de ineficiência.

Há decisões que precisam amadurecer. Outras se tornam mais caras justamente porque não avançam.

O risco de perceber a mudança e não conseguir responder

Quem é que não passava horas jogando a cobrinha no Nokia?

Houve um tempo em que a marca era praticamente sinônimo de telefone celular. E não era apenas pela popularidade. Os aparelhos tinham fama de indestrutíveis. Quem nunca ouviu uma história sobre um Nokia que caiu no chão, sofreu todo tipo de acidente e continuou funcionando?

Lembro até de uma cena de filme de zumbis, em pleno cenário apocalíptico, em que um aparelho da marca aparecia jogado no chão, mas seguia funcionando. A brincadeira era inevitável: só podia ser Nokia.

A memória pode até me trair quanto ao filme, mas a fama dos aparelhos certamente marcou uma geração.

O curioso é que, enquanto os celulares pareciam resistir aos cenários mais devastadores da ficção, a posição da Nokia no mercado não demonstrou a mesma resistência às transformações do mundo real.

Pense por um instante: quando foi a última vez que você viu alguém usando um Nokia?

A empresa que já foi uma das grandes referências mundiais em telefonia móvel perdeu espaço na transição para os smartphones. E sua trajetória se tornou objeto de estudos sobre decisões estratégicas, comunicação interna e capacidade de resposta às mudanças do mercado.

Em uma pesquisa publicada na revista acadêmica Administrative Science Quarterly, pesquisadores analisaram como o medo e as dificuldades de comunicação entre diferentes níveis de gestão prejudicaram a circulação de informações e contribuíram para comprometer a resposta estratégica da companhia.

É importante reconhecer que o declínio da Nokia nesse segmento não pode ser atribuído a uma única decisão ou explicado apenas pela demora em agir. O caso envolveu fatores tecnológicos, competitivos e organizacionais.

Mas ele ajuda a ilustrar uma questão que merece atenção: uma empresa pode ter uma marca reconhecida, produtos bem avaliados e profissionais competentes e, ainda assim, encontrar dificuldades para transformar a percepção de uma ameaça em uma resposta eficaz.

No fim das contas, a resistência física dos aparelhos não foi suficiente para garantir a permanência da marca na liderança do mercado.

E talvez essa seja uma das lições mais interessantes do caso: aquilo que tornou uma empresa bem-sucedida no passado não garante que ela continuará competitiva no futuro.

O que uma empresa perde quando adia decisões?

Nem sempre o custo do adiamento aparece imediatamente em uma planilha. Em determinadas situações, ele se manifesta na manutenção de despesas, na perda de oportunidades comerciais, na demora para corrigir processos ou na dificuldade de acompanhar novas exigências do mercado.

Na comunicação empresarial, por exemplo, uma organização pode continuar investindo em ações que já não dialogam com seus públicos simplesmente porque nunca revisou seu posicionamento.

Na gestão operacional, pode manter rotinas pouco eficientes por não priorizar mudanças. Na estratégia comercial, pode adiar ajustes mesmo diante de sinais de que a abordagem atual deixou de funcionar.

Esses exemplos não significam que toda revisão produzirá resultados positivos. Significam que a decisão de manter tudo como está também merece avaliação.

É preciso considerar, inclusive, o custo de oportunidade: o benefício potencial de uma alternativa que deixa de ser escolhida. Esse custo nem sempre pode ser estimado com precisão, mas ignorá-lo não faz com que desapareça.

Para empresas que operam com recursos limitados, a questão pode ser especialmente relevante. Tempo, orçamento e capacidade de execução são finitos. Manter iniciativas sem critérios claros de continuidade pode impedir que outras prioridades recebam atenção.

Decidir rápido não é o mesmo que decidir bem

Seria um erro concluir que a solução está em acelerar qualquer decisão. Algumas escolhas exigem estudos, testes, consultas técnicas e avaliação de riscos. Em determinados contextos, esperar por informações adicionais é a alternativa mais responsável.

A diferença está na qualidade dessa espera.

Uma decisão em análise tem critérios, responsáveis e, quando possível, um horizonte definido para ser retomada. Já o adiamento recorrente tende a manter o assunto em aberto sem esclarecer quais informações faltam ou o que precisa acontecer para que uma escolha seja feita.

Essa distinção importa porque a pressa também pode produzir prejuízos. O desafio da gestão não é eliminar o tempo de reflexão, mas reconhecer quando ele continua agregando valor e quando passou a representar apenas imobilidade.

Não decidir também é uma escolha empresarial

Empresas não precisam mudar de direção a cada novidade do mercado. Precisam, no entanto, ter condições de identificar quando suas decisões anteriores merecem ser revistas.

Isso exige disposição para questionar estratégias, reconhecer resultados insatisfatórios e estabelecer prioridades. Exige também aceitar que nem todas as escolhas terão garantias de sucesso.

A questão central não é defender decisões precipitadas, mas lembrar que a manutenção de uma situação também produz consequências.

Ao avaliar investimentos, processos, comunicação ou posicionamento, gestores costumam perguntar quanto custará promover uma mudança. É uma pergunta necessária.

Mas talvez exista outra, igualmente importante, que mereça entrar nessa análise: quanto pode custar continuar adiando uma decisão que já precisa ser enfrentada?

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Editora-chefe do Economia PR e estrategista editorial para empresas e lideranças que querem construir autoridade e relevância no mercado.

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