A Solo Network anunciou, em outubro de 2026, a aquisição de participação majoritária na Planeje, empresa de engenharia, infraestrutura e construção de data centers. A operação cria no grupo uma vertical de infraestrutura crítica para executar projetos completos de data centers de pequeno e médio porte em todo o país.
A Solo Network é integradora de tecnologia e provedora de serviços gerenciados. A compra ocorre em um período de crescimento da empresa, que fechou 2025 com faturamento de aproximadamente R$ 800 milhões.
Crescimento da Solo Network
O avanço foi impulsionado pela expansão dos serviços em nuvem e pela Solo Iron, vertical de cibersegurança do grupo.
O desempenho levou a Solo Network à 223ª posição do ranking The Americas’ Fastest-Growing Companies 2025, do Financial Times em parceria com a Statista. A lista reúne 300 empresas das Américas, sendo 25 brasileiras.
Planeje mantém marca e estrutura
A Planeje mantém a marca e a estrutura operacional. O sócio Eduardo Silveira permanece na empresa como executivo responsável pelas áreas Comercial e Operações.
A empresa tem 32 profissionais e estima em R$ 200 milhões suas oportunidades comerciais. A previsão de faturamento é de cerca de R$ 30 milhões.
Aporte previsto até 2027 e além
Na primeira etapa, a Solo Network prevê destinar cerca de R$ 10 milhões ao capital de giro e à expansão comercial da Planeje.
A partir de 2027, o grupo pode disponibilizar até R$ 50 milhões, ao longo de três anos. Os recursos serão usados para executar novos projetos, à medida que a demanda crescer e os clientes contratarem os empreendimentos. A meta inicial é, no mínimo, dobrar o faturamento da Planeje em 2027.
“Estamos vendo uma mudança na demanda por capacidade computacional. Inteligência artificial, nuvem, digitalização das empresas e aumento do volume de dados exigem cada vez mais infraestrutura física. Nossa decisão foi participar de forma direta da cadeia de infraestrutura e trazer para dentro do grupo a engenharia e a construção de data centers”, afirma João Paulo Costa Pereira, CEO da Solo Network.
Projetos completos de data centers de pequeno e médio porte
O escopo da Planeje vai da engenharia à entrega da infraestrutura. Inclui obra civil, elétrica, climatização, sistemas de energia, segurança física, cabeamento, infraestrutura de TI e gerenciamento da implantação.
O foco comercial está nos data centers de pequeno e médio porte. O público são organizações que precisam de ambientes próprios de processamento, armazenamento e contingência.
“Existe um mercado importante além dos grandes provedores de nuvem. Empresas, governos e indústrias precisam construir ou modernizar a própria infraestrutura de tecnologia, muitas vezes em projetos de menor escala, mas críticos para a operação. É nesse mercado que queremos consolidar nossa presença”, afirma Pereira.
Fabricação da Envolve complementa a engenharia
A operação aproxima a Planeje da Envolve Ambientes Seguros, outra empresa do grupo. A Envolve fabrica no país painéis, portas, salas seguras e data centers modulares e em contêineres.
A fábrica pode atender o equivalente a até 25 data centers por ano, conforme a configuração e o porte de cada projeto.
Com isso, a Planeje responde pela engenharia, pela construção e pela integração dos projetos. A Envolve pode fornecer os componentes e as estruturas que fabrica.
“Essa combinação é um dos pontos mais importantes da estratégia. Temos capacidade de engenharia, fabricação de componentes críticos e, agora, capital para a execução, o que nos permite controlar uma parcela maior da cadeia e melhorar prazos, qualidade e previsibilidade financeira dos projetos”, afirma Pereira.
Capital de giro reforça a operação
Os recursos da primeira etapa fortalecem a operação comercial e financeira da Planeje, em um mercado no qual os projetos exigem capital de giro durante a execução. O grupo espera que a empresa passe a assumir projetos de porte maior.
“A Planeje já tem conhecimento técnico, equipe especializada, relacionamento com o mercado e uma carteira de oportunidades. A entrada da Solo traz o capital necessário para assumirmos mais projetos ao mesmo tempo e ampliarmos nossa capacidade de execução”, afirma Silveira.
“Nossa intenção é transformar essa estrutura em uma das principais operações do país no segmento de data centers de pequeno e médio porte”, diz Pereira.