O mercado brasileiro de franquias faturou R$ 301,7 bilhões em 2025, alta nominal de 10,5% sobre o ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). O valor é recorde para o setor, que avança na adoção de tecnologia, automação e análise de dados.
O franchising encerrou o período com 202.444 operações em funcionamento e 3.297 redes. A presença chegou a 3.828 municípios. O setor também reúne cerca de 1,76 milhão de empregos diretos.
O crescimento das redes depende não apenas da abertura de unidades, mas também da eficiência das operações existentes. Entre os fatores associados à evolução do setor estão a transformação digital, a automação de processos e a gestão baseada em indicadores. Também entram a padronização operacional e a inovação nos modelos de negócios.
Elói Ferreira, cofundador e desenvolvedor de produtos da Go Coffee, afirma que a tecnologia já alterou a rotina das redes. A adoção de novas ferramentas, porém, ocorre de forma gradual. Custos de implementação e diferenças na capacidade de investimento influenciam a velocidade dessa mudança.
“A tecnologia evolui em uma velocidade muito grande, mas a implementação tem custo, e isso acaba determinando o ritmo de adoção. A inteligência artificial, por exemplo, já provocou mudanças importantes nos últimos anos, mas ainda não é uma ferramenta acessível da mesma forma para todo o setor. É uma transformação real, porém gradual”, afirma Ferreira.
Automação reduz tarefas operacionais e amplia uso de dados
Uma das mudanças mais perceptíveis está na automação de atividades que exigiam horas de trabalho das equipes. Produção de documentos, consolidação de informações e leitura de grandes volumes de dados já contam com ferramentas digitais e recursos de inteligência artificial.
“Antes, para fechar um relatório, a equipe podia passar uma tarde inteira levantando e organizando informações. Hoje, com as ferramentas adequadas e dados estruturados, é possível resolver em uma hora algo que antes tomava praticamente o dia todo. Isso libera a equipe para atividades que realmente precisam de análise e olhar humano”, explica Ferreira.
A inteligência artificial ainda não está presente de maneira uniforme na rotina das unidades. Na Go Coffee, a tecnologia é usada principalmente no suporte aos franqueados e na produção de materiais para atividades do dia a dia. O uso ainda exige acompanhamento das equipes.
“A IA ainda não entrega 100% do que precisamos, mesmo quando fornecemos referências e direcionamentos claros. Ela já facilita alguns processos, especialmente no atendimento ao franqueado, mas ainda estamos em uma fase inicial de adoção”, acrescenta Ferreira.
A digitalização do franchising também envolve inteligência de mercado, sistemas de CRM, aplicativos próprios, integração de canais e análise de dados. Essas ferramentas permitem acompanhar o desempenho das unidades com mais precisão. Também ajudam a identificar problemas antes que comprometam os resultados.
Gestão baseada em indicadores ganha espaço nas redes
Com operações distribuídas por diferentes regiões, a capacidade de transformar dados em decisões ganha peso na administração das franquias. Na Go Coffee, indicadores como faturamento por loja, ticket médio, Custo da Mercadoria Vendida (CMV), recorrência de clientes, NPS, giro de estoque, ruptura de insumos, payback e Retorno sobre Investimento (ROI) orientam decisões estratégicas.
“Trabalhamos sempre em cima de números, sem espaço para achismo. Faturamento e ticket médio mostram o comportamento das vendas; o CMV ajuda a entender se a operação está saudável; recorrência e NPS indicam a relação com o consumidor; e payback e ROI permitem acompanhar o retorno do investimento do franqueado. A decisão estratégica cabe à diretoria, mas o norte vem desses números”, complementa Ferreira.
A expansão territorial reforça a importância dos indicadores. As franquias estão em 3.828 municípios, o que indica que o crescimento deixou de se concentrar apenas nas capitais e nos grandes centros. A chegada a cidades médias e pequenas amplia a necessidade de modelos operacionais padronizados.
Eficiência vem antes da abertura de novas unidades
A modernização também altera a discussão sobre expansão. Em vez de associar crescimento exclusivamente à abertura de lojas, as redes passam a dar mais atenção à eficiência, à rentabilidade e à capacidade de replicação das operações existentes.
“Não faz sentido abrir uma nova loja sem ter um processo testado, validado e funcionando bem. Uma unidade inserida em um modelo que ainda apresenta problemas de logística, custos ou suporte acaba multiplicando essas dificuldades. Primeiro é preciso consolidar o modelo para depois replicá-lo”, avalia Ferreira.
A tecnologia também pode contribuir para a rentabilidade ao reduzir custos e falhas em diferentes etapas da operação. Gestão de insumos, prevenção de erros operacionais, suporte aos franqueados e treinamento das equipes estão entre as áreas que podem ganhar eficiência. Isso depende de ferramentas de automação mais acessíveis.
A expectativa é que esse movimento se intensifique nos próximos anos. Com mais automação e menor custo de implementação, processos hoje parcialmente digitalizados tendem a ganhar maior integração. O desafio será transformar tecnologia em eficiência sem perder de vista a sustentabilidade financeira dos franqueados.
“A inovação ajuda a reduzir custos em várias frentes, desde o recebimento de insumos até o suporte e o treinamento das equipes. À medida que a automação avançar e ficar mais barata e acessível, teremos uma mudança mais profunda nos processos. É a tecnologia dando ferramentas para a operação e ajudando o franqueado a obter melhores resultados na ponta”, conclui o cofundador da Go Coffee.