Economia PR - ACP manifesta preocupação com avanço do fim da escala 6×1

Pesquisar

ACP manifesta preocupação com avanço do fim da escala 6×1

ACP escala 6x1 Economia PR
Foto: iMin Technology / Pexels

A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 ganhou novos desdobramentos nesta semana e pode avançar rapidamente no Congresso Nacional. Em meio à tramitação da proposta, a Associação Comercial do Paraná divulgou uma nota oficial manifestando preocupação com os possíveis impactos da mudança para o ambiente de negócios, especialmente para micro, pequenas e médias empresas.

O tema ganhou força após acordo firmado entre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acelerar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê alterações na jornada semanal de trabalho.

Pelo texto em discussão, a obrigatoriedade de ao menos dois dias de folga semanais passaria a valer 60 dias após a promulgação da PEC. Já a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas ocorreria em duas etapas: inicialmente para 42 horas e, após um ano, para 40 horas. A proposta também prevê manutenção dos salários dos trabalhadores.

A expectativa é de que a PEC seja votada ainda nesta semana na Câmara dos Deputados, seguindo posteriormente para análise do Senado Federal. O relatório está sendo apresentado pelo deputado Leo Prates na comissão especial criada para discutir o tema.

Na avaliação da ACP, a discussão exige uma abordagem técnica e baseada em dados, considerando as diferentes realidades dos setores produtivos brasileiros.

Segundo a entidade, embora trabalhadores e empresários tenham interesses comuns relacionados ao crescimento econômico, geração de empregos e aumento da produtividade, mudanças abruptas na legislação trabalhista podem gerar aumento de custos operacionais e perda de flexibilidade para empresas de diferentes segmentos.

A associação cita levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo segundo o qual a aprovação do fim da escala 6×1 poderia elevar o custo do trabalho em até 22%.

Além disso, pesquisa realizada pela própria ACP com micro e pequenos empresários apontou que 72% dos entrevistados avaliam que a mudança seria prejudicial para os negócios. Entre os principais pontos levantados estão o aumento de custos ligados a recursos humanos, possibilidade de repasse de preços ao consumidor final e até encerramento de atividades em alguns casos.

A entidade também defende que eventuais mudanças sejam acompanhadas de medidas complementares, como redução da carga tributária e adoção de modelos mais flexíveis de contratação e remuneração por horas trabalhadas.

Em nota, a ACP afirmou que seguirá mobilizando as bases empresariais para promover um debate “responsável, consciente e embasado tecnicamente” sobre o tema.

Nota da Associação Comercial do Paraná na íntegra

“A Associação Comercial do Paraná – ACP, legítima representante da classe empresarial e do comércio do estado, manifesta atenção e preocupação em relação ao debate atual sobre a escala de trabalho 6×1, tema que vem sendo abordado com grande urgência e pressão no Congresso Nacional.

Entendemos que essa matéria exige uma abordagem essencialmente técnica, pautada em dados e análises consistentes, afastando-se de interpretações ou utilizações de caráter político-partidário. Observa-se, no entanto, que, em função do contexto eleitoral, a discussão tem sido, em certa medida, simplificada, o que pode comprometer a avaliação adequada de seus impactos.

Neste sentido, a ACP acredita que:

  1. Conquanto haja algumas diferenças entre empregados e empregadores, o INTERESSE MAIOR de empresários e trabalhadores é o mesmo: que a economia brasileira prospere, que as empresas cresçam, que a produtividade aumente, que os lucros cresçam, que os empregos aumentem e que os salários acompanhem a evolução da economia.
  2. Os trabalhadores devem ser respeitados em sua condição de ser humano, em suas necessidades básicas e em sua busca por crescimento profissional, condição de vida e melhores salários.
  3. Porém, os dois objetivos acima somente serão conseguidos se as unidades produtivas de todas as naturezas, sobretudo a multidão de micros, pequenas e médias empresas, conseguirem prosperar, crescer e gerar mais empregos.
  4. A ACP vê com preocupação medidas que possam prejudicar o ambiente de negócios, impor ônus adicionais às empresas e não respeitar as enormes diferenças entre os setores produtivos.
  5. A imposição de escala semanal de trabalho e folga única, rígida e como está sendo proposta por ir na contramão dos objetivos acima, cria custos novos, engessa a flexibilidade exigida pela diferença entre os setores, e causaria prejuízos às empresas, sobretudo as milhões de micros e pequenas empresas.


Segundo dados da Fecomércio/SP, se aprovado, o projeto que prevê o fim da escala 6×1 elevaria o custo do trabalho em 22%.

Para o correto embasamento desta carta, realizamos uma pesquisa com micro e pequenos empresários, visando melhor atender os interesses dos trabalhadores e dos empresários. Como resultado, 72% avaliam que o fim da Escala 6×1 será prejudicial ao seu negócio. Entre as justificativas, destaque máximo para o aumento de custos, especialmente os ligados a recursos humanos, o que pode ocasionar em aumento de valores para o consumidor final ou mesmo o encerramento do negócio.

Como possíveis soluções, o mesmo grupo de entrevistados observa possibilidades como redução na carga tributária e o modelo de pagamento por horas trabalhadas, conforme já ocorre em outros países.

Diante desse cenário, reiteramos nosso compromisso em promover um debate responsável e qualificado, bem como em mobilizar nossas bases para que os representantes políticos analisem o tema com responsabilidade, consciência e embasamento técnico.

Curitiba, 25 de maio de 2026.”

Compartilhe

Editora-chefe do Economia PR. Fundadora da BASIS Comunicação. Community Manager. Acelerada Camila Renaux. Consultoria em Comunicação Estratégica. Prêmio Sangue Bom de Jornalismo (SINDIJOR PR 2014)

Leia também

Economia PR Curitiba negócios inovação

Economia PR em Curitiba: mais perto dos negócios e da inovação

Curitiba IPS 2026 Economia PR

Curitiba lidera entre as capitais, mas IPS 2026 destaca força do PR no ranking

bem-estar campanha burnout economia pr

Bem-estar precisa ir além da sua campanha contra burnout