Economia PR - Estamos acumulando conhecimento ou transformando negócios?

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Estamos acumulando conhecimento ou transformando negócios?

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Foto: Gerada por IA / Magnific

Novembro chegou e, com ele, aquele movimento conhecido de quem empreende: revisar o que funcionou, entender o que ficou pelo caminho e começar a planejar o próximo ano. Metas, investimentos, novos projetos, tecnologias que prometem mudar o mercado. A lista parece crescer a cada semana.

Mas tenho pensado em uma pergunta que considero especialmente importante neste momento: quanto de tudo o que aprendemos realmente se transforma em decisões capazes de melhorar nossos negócios?

Em outubro, participei do Reset Marketing, evento realizado em Florianópolis e idealizado por Camila Renaux. Foram dois dias de discussões sobre estratégia, posicionamento, tecnologia e transformações do mercado. Uma programação que trouxe muitas reflexões para quem vive os desafios de empreender.

Curiosamente, quase um mês depois, o que mais permanece comigo não é uma apresentação específica ou uma tendência que preciso acompanhar.

São as pessoas.

Os encontros, as conversas, as trocas de experiências e, principalmente, a sensação de proximidade entre profissionais que, em muitos casos, estavam se encontrando pessoalmente pela primeira vez.

Havia relações construídas muito antes daquele evento. Pessoas que já compartilhavam desafios, aprendizados e conquistas, mesmo sem terem dividido o mesmo espaço físico. Quando finalmente se encontraram, as conversas não começaram do zero. Pareciam continuar de onde haviam parado.

E isso me fez pensar sobre o valor dos ambientes que construímos ao redor dos nossos negócios.

Informação nunca foi tão acessível. E agora?

Entramos em um período em que acompanhar tendências parece ser uma obrigação permanente. Inteligência artificial, automação, novos canais de comunicação, mudanças no comportamento do consumidor e modelos de negócio surgem nas conversas de planejamento com uma velocidade impressionante.

Os números ajudam a dimensionar esse cenário.

Segundo o Banco Central, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro é de 1,4% em 2027. Já a Gartner estima que os gastos globais com tecnologia da informação alcancem US$ 7,35 trilhões no próximo ano, um avanço de 15% em relação a 2026.

São indicadores que medem realidades diferentes, mas ajudam a ilustrar o contexto no qual as empresas precisarão tomar decisões: de um lado, uma perspectiva de crescimento econômico moderado no Brasil; de outro, investimentos expressivos em tecnologia no mercado global.

E, diante disso, surge uma questão bastante prática: como decidir o que realmente merece nosso investimento?

Porque acompanhar uma tendência não significa que ela seja prioridade para a nossa empresa. Conhecer uma ferramenta não significa precisar implementá-la. E voltar de um evento com várias ideias não garante que elas façam sentido para o momento do negócio.

Talvez um dos maiores desafios de 2027 seja justamente esse: desenvolver a capacidade de selecionar, contextualizar e transformar conhecimento em escolhas.

O valor das conversas que continuam

Existe uma diferença importante entre receber uma informação e conseguir interpretá-la à luz da própria realidade.

Um empresário pode conhecer uma estratégia interessante durante uma palestra e, ainda assim, ter dúvidas sobre sua aplicação. Pode observar um movimento de mercado e não saber se é o momento de investir. Pode enfrentar um problema que outro empreendedor já precisou resolver.

É nessas situações que a troca de experiências ganha relevância.

Não porque alguém tenha uma resposta pronta, mas porque diferentes perspectivas podem revelar riscos, alternativas e possibilidades que dificilmente perceberíamos sozinhos.

Foi isso que mais me chamou a atenção no Reset.

A qualidade das conexões não estava apenas na oportunidade de conhecer pessoas. Estava na continuidade de relações que já vinham sendo cultivadas, na abertura para compartilhar experiências e no ambiente de confiança que permitia conversas mais profundas.

E acredito que há uma diferença significativa entre fazer networking e construir uma rede de relacionamento.

O primeiro pode acontecer em um encontro. O segundo exige tempo, reciprocidade e disposição para participar da trajetória de outras pessoas.

No ambiente empresarial, essa diferença importa.

Relações de confiança não substituem planejamento, análise de mercado ou competência de gestão. Mas podem ampliar nosso repertório e contribuir para decisões mais bem fundamentadas.

Afinal, nem toda oportunidade nasce de uma ideia inédita. Algumas surgem quando experiências diferentes se encontram.

E o que isso tem a ver com 2027?

Ao construir o planejamento para o próximo ano, é natural que empresários concentrem a atenção em indicadores, orçamento, vendas e crescimento. Tudo isso é indispensável.

Mas talvez também valha perguntar que tipo de ambiente estamos criando para continuar aprendendo, discutindo desafios e encontrando novas perspectivas ao longo do caminho.

Porque o planejamento não termina quando o documento fica pronto. As decisões continuam acontecendo diante de mudanças de cenário, oportunidades inesperadas e problemas que não estavam previstos.

E é justamente essa reflexão que se conecta a um movimento recente do Economia PR.

Em parceria com os portais Economia SC e Economia SP, lançamos a Comunidade Negócios em Pauta, uma iniciativa voltada a aproximar empresários, executivos, investidores e lideranças de diferentes setores.

A proposta nasce de uma convicção que vem se fortalecendo na nossa atuação: o jornalismo especializado tem valor não apenas pela informação que entrega, mas também pelas conversas que pode estimular e pelas relações que ajuda a aproximar.

Queremos que o conhecimento circule, que experiências sejam compartilhadas e que essas conexões encontrem espaço para continuar se desenvolvendo.

Não existe uma fórmula capaz de garantir que uma conversa se transforme em negócio. Mas podemos criar condições para que encontros relevantes aconteçam e não terminem na troca de contatos.

O Reset me fez perceber, mais uma vez, a importância desse sentimento de pertencimento e da construção contínua de relacionamentos.

E, olhando para 2027, talvez essa seja uma reflexão tão necessária quanto qualquer nova tendência tecnológica.

Estamos cercados de informação, ferramentas e possibilidades.

Mas será que estamos construindo os ambientes, as relações e a capacidade de decisão necessários para transformar tudo isso em negócios?

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Editora-chefe do Economia PR e estrategista editorial para empresas e lideranças que querem construir autoridade e relevância no mercado.

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