A área de Tecnologia da Informação deixou de atuar apenas nos bastidores das empresas e passou a ocupar espaço estratégico em operações, produtividade, desenvolvimento de produtos e tomada de decisões. Com esse avanço, cresce também a demanda por profissionais capazes de trabalhar com inteligência artificial, computação em nuvem, análise de dados e cibersegurança.
Em 2025, 17% das empresas brasileiras com dez ou mais pessoas ocupadas já utilizavam algum tipo de inteligência artificial, segundo a 16ª edição da pesquisa TIC Empresas, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Em 2024, eram 13%. Entre as grandes empresas, a adoção passou de 38% para 50% no mesmo período.
Na computação em nuvem, 54% das empresas com acesso à internet pagavam, em 2025, por armazenamento de arquivos ou bancos de dados nesse ambiente. Outros 45% contratavam softwares de segurança em nuvem e 36% utilizavam capacidade de processamento. Na indústria de transformação, os índices eram de 50%, 42% e 34%, respectivamente.
Mercado de trabalho exige novas competências
A transformação tecnológica também altera o perfil dos profissionais de TI. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que 39% das competências atualmente exigidas dos trabalhadores serão transformadas ou ficarão desatualizadas até 2030.
Entre as habilidades com crescimento mais acelerado estão inteligência artificial e big data, redes e cibersegurança e alfabetização tecnológica. A lacuna de competências é apontada por 63% dos empregadores consultados como a principal barreira à transformação dos negócios.
Nesse contexto, o Senai Paraná estruturou as Trilhas Senai de Aperfeiçoamento em Tecnologia da Informação, com percursos voltados a áreas como inteligência artificial, computação em nuvem, cibersegurança e inteligência de dados.
A proposta atende tanto pessoas que pretendem ingressar nessas áreas quanto profissionais que já possuem conhecimentos prévios e buscam desenvolver competências mais especializadas.
Segundo Cleverson Calegari, especialista em TI do Senai Paraná, a iniciativa surgiu a partir de dúvidas recorrentes entre estudantes sobre como iniciar uma formação nessas áreas.
“Eles vinham para mim e perguntavam: ‘Eu quero entrar na área de cibersegurança, eu quero entrar na área de IA, mas por onde começo?’. Muitos não sabiam qual tipo de curso precisavam fazer primeiro. Baseado nessa demanda constante, criamos as trilhas, partindo do inicial e carregando conhecimento até níveis mais avançados”, explica Calegari.
Inteligência artificial vai além da engenharia de prompt
A velocidade de adoção da inteligência artificial também amplia o campo de competências exigidas. A popularização da IA generativa levou ferramentas capazes de produzir textos, imagens e códigos para o cotidiano profissional, mas as aplicações empresariais vão além da interação por comandos em linguagem natural.
Entre as empresas brasileiras que utilizaram IA em 2025, 68% empregavam a tecnologia na automatização de processos e fluxos de trabalho, 38% em mineração e análise de textos, 31% em reconhecimento e processamento de imagens e 25% em machine learning, incluindo deep learning, para predição e análise de dados, segundo a TIC Empresas.
Para Calegari, concentrar a formação em IA na chamada engenharia de prompt reduz o alcance das aplicações possíveis.
“Hoje há uma disseminação de cursos de engenharia de prompt. Então, muita gente, quando pensa em fazer um curso de IA, pensa primeiro em aprender a criar um prompt. Mas hoje temos uma infinidade de utilizações para inteligência artificial, a ponto de ela poder gerar software, desde que você saiba como solicitar, executar e tenha entendimento do código”, afirma.
As trilhas do Senai Paraná incluem conteúdos relacionados a IA generativa, agentes de inteligência artificial, machine learning, ciência de dados, deep learning e aplicações voltadas à produtividade e à indústria. A formação também aborda o uso da tecnologia em codificação e no tratamento de grandes volumes de dados.
Na indústria, a combinação entre inteligência artificial, dados e automação permite aplicações que vão da análise de informações de produção ao apoio à tomada de decisões. Para isso, o trabalho começa antes do algoritmo, com coleta, organização e preparação dos dados.
“Na parte de IA, a gente vai ver muita automação. Se você tem uma base de dados gigantesca, precisa transformar aquilo em dados coletáveis e entendíveis, preparar e limpar esses dados e depois processar essa base para conseguir extrair informação”, explica Calegari.
A pesquisa TIC Empresas 2024 já apontava a relação entre IA e operações empresariais. Naquele ano, 24% das empresas brasileiras que utilizavam a tecnologia aplicavam IA diretamente em processos de produção e outros 24% em logística.
Nuvem e cibersegurança ampliam atuação
O avanço tecnológico também aumenta a demanda por conhecimentos em computação em nuvem e cibersegurança, à medida que dados, sistemas e aplicações passam a operar em ambientes cada vez mais conectados.
Na formação em cloud computing, o percurso do Senai parte dos conceitos básicos e avança para a configuração de arquiteturas voltadas a serviços corporativos.
“É desde entender o conceito, as vantagens e desvantagens e a precificação até a operacionalização e a definição de uma arquitetura de rede em cloud para prover serviços para uma empresa”, explica Calegari.
A trilha também contempla aplicações de machine learning e inteligência artificial em ambientes de nuvem.
Em cibersegurança, a formação aborda ataques, ameaças e engenharia social e avança para mecanismos de proteção de equipamentos de rede, dispositivos de usuários e conexões externas.
Segundo Calegari, a complexidade dos ambientes estudados aumenta gradualmente, passando de dispositivos pessoais para estruturas de escritórios, empresas e indústrias.
As formações utilizam conteúdos e ecossistemas tecnológicos de empresas como Cisco e AWS Academy, além de recursos do Google relacionados à inteligência artificial, segundo o especialista.
Formação acompanha transformação do mercado
A expansão das possibilidades de atuação também torna mais complexo o caminho de entrada na área de TI. Entre cibersegurança, cloud, ciência de dados, inteligência artificial generativa, agentes, machine learning e aplicações industriais, profissionais em formação encontram diferentes possibilidades de especialização.
As Trilhas de Aperfeiçoamento do Senai Paraná foram organizadas para oferecer uma evolução progressiva, dos fundamentos às aplicações mais avançadas, em vez de tratar cada tecnologia como um conhecimento isolado.
“Na maioria das trilhas, o aluno vai sair da estaca zero para uma utilização evolutiva até chegar a uma parte avançada dos treinamentos”, resume Calegari.
Para profissionais que já atuam em tecnologia, a estrutura permite ingressar em etapas mais avançadas, de acordo com os conhecimentos prévios, além de buscar certificações e badges associados às competências desenvolvidas.
A mudança acompanha uma transformação mais ampla do mercado de trabalho. Com 39% das competências profissionais projetadas para sofrer alterações ou ficar desatualizadas até 2030, segundo o Fórum Econômico Mundial, a formação em tecnologia passa a exigir atualização contínua, especialmente em áreas como IA, dados, nuvem e cibersegurança.