A Bankme completa seis anos em setembro consolidando uma trajetória de crescimento que começou em Londrina, no Paraná, e hoje alcança empresas em diferentes regiões do Brasil. Para o próximo ciclo, a companhia aposta em um mercado que faz parte da história do varejo brasileiro: o crediário próprio.
Fundada em setembro de 2020, a Bankme começou com apenas cinco pessoas, uma sala e seu primeiro cliente. Nos últimos anos, o time passou de 18 para 73 colaboradores, hoje distribuídos por dez estados brasileiros.
O crescimento da equipe acompanhou a evolução do negócio. Atualmente, a companhia possui 145 estruturas financeiras ativas, cerca de R$ 500 milhões sob gestão e já ultrapassou R$ 2 bilhões em VOP (Volume de Operações).
A meta estabelecida para 2027 é alcançar R$ 4 bilhões em VOP, mantendo a expansão da operação e ampliando sua presença principalmente entre varejistas de médio porte.
A escolha desse mercado parte de uma realidade conhecida por milhares de empresários brasileiros: muitas empresas já financiam seus próprios clientes.
São redes de móveis, eletrodomésticos, materiais de construção, vestuário, calçados, motocicletas e outros segmentos que utilizam capital próprio para oferecer crediário ou parcelamento direto ao consumidor.
Na prática, esses varejistas já possuem uma operação de crédito dentro de seus negócios. Disponibilizam o capital no momento da venda, recebem ao longo dos meses seguintes e administram risco, inadimplência e cobrança.
A oportunidade, segundo a Bankme, está em estruturar melhor aquilo que o varejista já faz.
Do crediário próprio à estrutura financeira proprietária
O crediário tradicionalmente é tratado como uma condição comercial: uma forma de permitir que o consumidor compre hoje e pague ao longo do tempo.
Mas, quando a carteira cresce, a operação passa a ter impacto relevante sobre o capital da empresa.
Quanto dinheiro está sendo utilizado para financiar clientes? Qual o prazo médio de recebimento? Qual a inadimplência? Qual o retorno efetivo dessa carteira? Quais clientes deveriam receber limites maiores ou menores? E, principalmente, quanto resultado essa operação realmente gera para o negócio?
São perguntas que aproximam o crediário de uma verdadeira operação financeira.
É justamente nessa transformação que a Bankme atua.
A companhia estrutura uma arquitetura financeira proprietária para que o varejista possa organizar e profissionalizar o crédito que já concede aos seus consumidores. A estrutura reúne veículo financeiro, tecnologia, processos e inteligência de crédito para administrar a operação.
A loja continua concentrada em sua atividade principal: vender produtos e se relacionar com seus clientes. O financiamento passa a contar com uma estrutura específica para organizar os fluxos financeiros decorrentes do parcelamento.
Não significa que todo varejista precise se transformar em uma instituição financeira. A proposta é criar uma infraestrutura que permita utilizar melhor o capital que a empresa já possui.
Vender mais também passa pela forma de financiar
A tese da Bankme parte de uma constatação simples: para muitos segmentos do varejo, a condição de pagamento influencia diretamente a decisão de compra.
Um consumidor pode desejar determinado produto e possuir capacidade para pagar parcelas mensais, mas não necessariamente dispor do valor integral para uma compra à vista ou de limite suficiente no cartão de crédito.
Nesse cenário, o crediário deixa de ser apenas uma facilidade operacional e passa a integrar a própria estratégia comercial.
Ao controlar sua política de crédito, o varejista pode definir prazos, limites e condições mais aderentes à realidade de seus clientes e ao próprio apetite de risco.
A empresa também possui um ativo que instituições externas nem sempre conhecem com a mesma profundidade: o histórico de relacionamento com seus consumidores.
Frequência de compra, tíquete, recorrência e comportamento de pagamento são informações que, quando utilizadas de acordo com as regras aplicáveis e combinadas com dados tradicionais de crédito, podem contribuir para decisões mais adequadas sobre a carteira.
A lógica não é simplesmente conceder mais crédito.
É conceder crédito inteligente: entender para quem financiar, quanto financiar, em quais condições e com qual nível de risco.
Eficiência tributária entra na estratégia
Outro componente importante dessa arquitetura é a eficiência tributária.
Quando o varejista opera o parcelamento diretamente dentro da atividade comercial, venda e financiamento podem permanecer concentrados na mesma estrutura empresarial.
Uma arquitetura financeira proprietária permite organizar adequadamente as atividades comercial e financeira de acordo com suas respectivas naturezas, criando oportunidades de eficiência tributária conforme o regime tributário, a estrutura adotada e as características de cada operação.
Não se trata simplesmente de pagar menos impostos ou de uma economia automática decorrente da criação de um veículo financeiro.
O objetivo é estruturar corretamente uma operação que possui componentes comerciais e financeiros distintos, permitindo que cada empresa avalie, junto aos seus especialistas jurídicos, tributários e contábeis, qual configuração é mais eficiente para sua realidade.
Para o varejista, portanto, o resultado do crediário passa a ser analisado por diferentes perspectivas: quanto ele ajuda a vender, quanto capital consome, quanto retorna, qual risco gera e qual eficiência financeira e tributária pode proporcionar.
É uma mudança importante na forma de enxergar uma prática que existe há décadas no comércio brasileiro.
Fazer o próprio capital trabalhar melhor
Essa discussão ganha ainda mais relevância entre empresas de médio porte que possuem capital disponível.
Durante muito tempo, estruturas financeiras mais sofisticadas estiveram associadas principalmente a grandes grupos econômicos. Muitas grandes redes desenvolveram seus próprios cartões, financeiras e estruturas de crédito.
O middle market vive uma realidade diferente.
Existem varejistas que já possuem centenas ou milhares de clientes, capacidade financeira e experiência com crediário, mas não necessariamente possuem infraestrutura tecnológica e financeira para transformar essa carteira em uma operação estruturada.
É justamente nesse espaço que a Bankme pretende ampliar sua atuação.
Em vez de perguntar apenas onde conseguir recursos para financiar a operação, a companhia propõe uma pergunta diferente ao empresário: como fazer o capital que a empresa (ou os sócios) já possui trabalhar melhor dentro do próprio ecossistema?
Se o dinheiro já está sendo utilizado para financiar clientes, estruturar essa atividade pode permitir ao empresário ter mais controle sobre o capital, mensurar melhor o retorno e transformar uma necessidade comercial em uma estratégia financeira.
Varejo está no próximo ciclo de crescimento
A aproximação com o varejo já faz parte da estratégia recente da companhia.
Na retrospectiva apresentada aos colaboradores durante a celebração dos seis anos, a Bankme destacou sua “Tese Varejo” entre os movimentos do último ano, citando alguns grandes clientes regionais de Londrina como parte da validação de um nicho que a empresa pretende explorar.
O movimento acontece em paralelo à preparação da empresa para uma nova fase de escala. A apresentação interna também destaca investimentos em novos sistemas, estruturas de gestão e refinamento do perfil de empresas que a Bankme pretende atender nos próximos anos.
A meta de alcançar R$ 4 bilhões em VOP em 2027 traduz essa expectativa de expansão.
Mais do que crescer em volume, porém, a estratégia passa por ocupar um espaço específico: tornar estruturas financeiras proprietárias mais acessíveis para empresas que já possuem capital, clientes e capacidade de originar negócios.
O próximo passo do crediário
Durante décadas, modernizar o crediário significou principalmente substituir o carnê de papel por sistemas digitais, automatizar consultas e melhorar a experiência de pagamento.
A próxima transformação pode acontecer por trás da venda.
Tecnologia, inteligência de crédito, gestão de carteira e uma arquitetura financeira adequada permitem que uma prática tradicional do comércio seja tratada como parte da estratégia financeira da empresa.
Para o varejista que já utiliza capital próprio para financiar consumidores, isso representa uma mudança importante.
O objetivo deixa de ser simplesmente parcelar uma venda, passa a ser utilizar o crediário para vender mais, oferecer melhores condições aos clientes, potencializar o próprio capital e buscar maior eficiência tributária.
Uma provocação para o varejo brasileiro:
Se uma empresa já possui capital, conhece seus clientes e financia suas próprias vendas, por que continuar tratando o crediário apenas como uma condição de pagamento?
Talvez o próximo passo seja transformá-lo em uma verdadeira estratégia financeira.
E é justamente aí que a Bankme quer estar.