Nove startups do Paraná concluíram o Top 10 PR, programa imersivo do Sebrae/PR voltado a negócios em busca de crescimento, mentorias e ampliação de conexões. As participantes registraram aumento de 13,3% no faturamento.
Entre maio e outubro de 2026, as empresas participaram de 40 horas de mentorias coletivas e encontros presenciais. Também tiveram 12 horas de mentoria individual, com orientações voltadas às necessidades de cada negócio.
Resultados das startups participantes
Juntas, as participantes alcançaram faturamento anualizado de R$ 11,08 milhões em 2026. O valor representa aumento de 13,3% em relação aos R$ 9,78 milhões do mesmo período do ano anterior.
Os resultados do programa apontam ainda crescimento de 6,6% na receita mensal recorrente, aumento de 6% no número de clientes ativos e expansão de 8,6% nas equipes.
Os dados foram apresentados no encerramento da jornada, realizado no Pinhão Hub, em Curitiba.
Quem participou do Top 10 PR
Foram nove startups de cinco municípios. De Maringá, participaram R-Inove, Vehlor e Flugo. De Curitiba, CreditOn, Cofield e Beorange.
Também integraram o programa a CNPJ Legal, de Londrina, a LeadFinder, de Dois Vizinhos, e a Aspa Chat, de Campo Largo. Outra startup não conseguiu cumprir os compromissos e deixou o programa.
Avaliação do Sebrae/PR
Para o coordenador de TIC e Startups do Sebrae/PR, Rafael Tortato, a evolução dos indicadores mostra avanços na capacidade das empresas de conquistar e fidelizar clientes. Ele destaca o aumento da receita recorrente em seis meses.
Tortato explica que o crescimento dos negócios envolve diferentes fatores e não pode ser atribuído exclusivamente ao programa. Segundo ele, o Top 10 PR contribui ao oferecer orientações estratégicas, mentorias e acompanhamento direcionados aos desafios de cada startup.
“Isso evidencia que elas têm conseguido gerar valor para os seus clientes, aumentar a base de clientes e construir esse aumento de receita recorrente”, avalia Tortato.
Segundo o coordenador, as mentorias coletivas e individuais, aliadas ao acompanhamento financeiro, ampliaram a compreensão dos empreendedores sobre a gestão e os desafios para crescer.
“Essas ações levam para uma clareza maior da estrutura de diferentes fases do negócio, dos indicadores estratégicos que realmente são fatores-chave de crescimento”, ressalta Tortato.
Flugo busca ampliar equipe comercial
Em Maringá, a Flugo desenvolve soluções para integrar canais físicos e digitais de atendimento. A empresa tem sete anos de atuação, 15 colaboradores e atende cerca de 500 clientes em todo o Brasil. No momento, tem sete vagas abertas.
Entre as soluções estão ferramentas para filas e agendamentos on-line, além de atendimento digital por WhatsApp e webchat.
Guilherme Couto, que está à frente da empresa, mantém relação com o Sebrae/PR desde antes da criação da startup, tendo participado de capacitações e programas. Segundo ele, a jornada permitiu estabelecer conexões estratégicas e conhecer experiências de empresas em estágios mais avançados.
“Estamos sempre em busca de aprimoramento. Tivemos diversas mentorias com empreendedores de startups mais maduras que a nossa. Foi produtivo conhecer a trajetória de outras startups e entender os desafios que enfrentaram para acelerar o crescimento dos negócios”, avalia Couto.
As mentorias também ajudaram a identificar prioridades da empresa, entre elas o fortalecimento da área comercial. Isso inclui a necessidade de ampliar a equipe para acompanhar os objetivos de expansão.
“Foi um treinamento de altíssimo nível, que nos ajudou a compreender qual direção precisamos seguir para continuar crescendo”, afirma Couto.
Beorange estrutura área comercial
Em Curitiba, a Beorange utiliza tecnologia para oferecer serviços contábeis, fiscais, financeiros e de recursos humanos. A startup registrou crescimento de 25% na receita durante a participação no programa.
Segundo a CEO e fundadora, Myle Pontes, um dos principais desafios era estruturar a área comercial e desenvolver estratégias para atrair novos clientes. Com experiência na área técnica, ela concentrava diferentes responsabilidades na operação e buscava caminhos para ampliar o negócio.
Ao longo da jornada, as mentorias contribuíram para organizar os processos de vendas, definir objetivos e indicadores de desempenho e formar uma equipe dedicada ao crescimento.
“A gente desenvolveu processos comerciais, estruturamos também a parte de objetivos, resultados e métricas que um comercial saudável deve analisar, e a gente montou nossa um novo setor de equipe para ampliar as atividades”, relata Myle.
Ela afirma que o crescimento de 25% na receita resulta de um conjunto de estratégias da empresa e dos aprendizados do programa. As orientações ajudaram a identificar oportunidades que não estavam sendo aproveitadas.
Além da área comercial, as mentorias abordaram cultura organizacional, questões jurídicas e finanças, o que ampliou a visão da empreendedora sobre a gestão.
“Vejo que entrou uma Myle e saiu outra. Não foi só uma questão de vendas, estruturamos processos comerciais, a parte de objetivos, resultados e métricas que um comercial saudável deve analisar, além de montar a equipe de um novo setor”, finaliza Myle.
LeadFinder foca crescimento com eficiência
Fernando Osmarini, CEO da LeadFinder, de Dois Vizinhos, no sudoeste do Paraná, afirma que o programa preparou a startup para uma nova etapa de crescimento. O foco foi aprimorar a tomada de decisões, aumentar a eficiência das operações e fortalecer a atuação no mercado.
O empreendedor conta com o apoio do Sebrae/PR desde o início da trajetória, em 2018.
“Queremos acelerar o crescimento e nos estruturar para alcançar novos mercados. O programa nos ajudou a olhar principalmente para dois desafios: fortalecer a governança, com uma gestão financeira e processos mais organizados, e desenvolver estratégias comerciais mais eficientes, ampliando nossos canais de aquisição de clientes em nível nacional”, avalia Osmarini.
Ele ressalta que o contato com mentores e empreendedores ajudou a ajustar rotas e tomar decisões mais assertivas. Segundo ele, os aprendizados já se refletem nos resultados da empresa.
“Conseguimos transformar muitos dos aprendizados em ações práticas, revisando nosso produto, nossa estratégia comercial e a experiência que entregamos aos clientes. Como resultado, tivemos um crescimento de quase 30% no faturamento neste ano. Outro dado importante é que hoje temos uma equipe com aproximadamente um terço do tamanho que tínhamos em 2024, mas faturamos três vezes mais do que naquele período. Isso mostra que crescer não significa necessariamente aumentar a estrutura, mas trabalhar com mais eficiência, processos bem definidos e foco nos resultados que entregamos aos clientes”, conclui Osmarini.