Economia PR - Visibilidade amplifica. A questão é: o quê?

Pesquisar

Visibilidade amplifica. A questão é: o quê?

visibilidade economiapr
Foto: Divulgação

Existe uma diferença importante entre querer que uma empresa seja mais vista e ter uma estratégia para definir como, por quem e para quê ela será vista.

Mais mídia, mais conteúdo, mais eventos, mais presença digital ou mais imprensa podem aumentar a exposição de uma marca. Mas isso, por si só, não determina o que o mercado vai pensar sobre ela.

Antes de buscar mais visibilidade, é preciso entender qual percepção a empresa quer construir e se aquilo que ela pretende comunicar encontra sustentação na realidade.

Uma experiência profissional me mostrou isso de forma bastante concreta.

Eu trabalhava em uma empresa de tecnologia para a área da saúde. A liderança tinha uma percepção muito positiva sobre o produto e entendia que ele estava acima do que existia no mercado. A orientação para o marketing era, naturalmente, comunicar essa força.

O problema é que a experiência de quem utilizava o produto nem sempre confirmava essa percepção.

Era uma solução inserida em um segmento sensível e o aplicativo apresentava instabilidades recorrentes. Ao mesmo tempo em que trabalhávamos para fortalecer a imagem do produto, recebíamos reclamações de usuários, inclusive de forma pública.

Para mim, havia uma questão muito maior do que comunicação.

Estávamos tentando reforçar uma percepção que parte da experiência do cliente ainda não sustentava.

E esse tipo de situação traz uma reflexão importante para qualquer empresa que queira aumentar sua exposição: o que exatamente estamos colocando em evidência?

Não acredito que uma empresa precise estar perfeita para investir em visibilidade. Isso seria impossível. Negócios estão em constante evolução e sempre haverá pontos a melhorar.

A questão é entender quais problemas podem comprometer a estratégia que está sendo construída.

Quanto mais pessoas forem impactadas por uma mensagem, maior será também a quantidade de pessoas capazes de confrontá-la com a própria experiência.

Uma promessa muito forte, quando acompanhada de uma boa entrega, pode acelerar a construção de autoridade.

Mas, quando existe uma distância relevante entre discurso e realidade, a exposição também pode ampliar as críticas, as reclamações e a percepção negativa.

Por isso, uma estratégia de visibilidade não deveria começar pela escolha do canal.

Deveria começar pelo objetivo.

A empresa quer fortalecer a percepção sobre um produto? Quer entrar em um novo mercado? Quer posicionar uma liderança como referência? Quer aproximar-se de determinado público? Quer gerar oportunidades comerciais?

Cada resposta muda completamente a estratégia.

O conteúdo que funciona para fortalecer autoridade de um porta-voz não necessariamente será o melhor caminho para apresentar um novo produto.

Um evento pode ser excelente para relacionamento, mas pouco efetivo para conversão imediata. Uma estratégia de imprensa pode ampliar credibilidade, enquanto uma campanha segmentada pode ser mais adequada para alcançar um público específico.

Não existe uma única forma de ganhar visibilidade porque não existe um único objetivo para buscá-la.

Também existe uma diferença entre ser visto e ser percebido da maneira que interessa ao negócio.

Uma empresa pode alcançar muita gente e continuar distante das pessoas que realmente importam para sua estratégia. Pode ter alcance, mas não relevância. Pode gerar atenção sem construir uma percepção capaz de contribuir para o negócio.

Por isso, antes de investir mais, eu gosto de entender o momento da empresa, o posicionamento que ela pretende ocupar e o público que precisa enxergar esse movimento.

A partir daí, fica mais fácil decidir o que comunicar, quem deve comunicar, onde essa mensagem precisa aparecer e qual papel cada iniciativa terá dentro da estratégia.

É um raciocínio diferente de simplesmente perguntar:

“Como podemos aparecer mais?”

A pergunta passa a ser:

“O que queremos que o mercado perceba sobre nós e qual é a melhor forma de construir essa percepção?”

Essa diferença muda tudo.

Porque visibilidade não é um objetivo isolado. Ela é uma ferramenta.

Pode fortalecer uma marca que já tem clareza sobre quem é e onde quer chegar. Pode ajudar um produto a conquistar espaço. Pode criar autoridade para um porta-voz. Pode aproximar uma empresa de públicos estratégicos.

Mas ela também pode colocar sob os holofotes aquilo que a empresa ainda não percebeu, não resolveu ou não consegue entregar.

Por isso, antes de buscar mais exposição, vale olhar para a própria realidade com honestidade.

Não para encontrar uma empresa perfeita. Para encontrar a estratégia certa para o momento certo.

É esse olhar que, para mim, transforma visibilidade em estratégia de negócio.

Porque aparecer mais é fácil de medir.

Mais importante é saber o que essa exposição está construindo para a empresa.

Se a sua empresa está pensando em ampliar sua presença no mercado e precisa definir o que comunicar, para quem, com qual objetivo e por qual caminho, vamos conversar.

Antes de buscar mais visibilidade, vale decidir o que você quer que ela faça pelo negócio.

Compartilhe

Produtora publicitária e especialista em multimídia com mais de 16 anos de trajetória no marketing, eventos corporativos e comunicação, unindo visão estratégica e execução de alto impacto. Atua como Consultora de Marketing e Eventos B2B. Diretora Comercial dos portais Economia SC, Economia SP e Economia PR, também é Sales Partner de soluções de Marketing e Audiovisual, conectando lideranças e empresas a estratégias integradas de mídia, reputação, conteúdo e novos negócios.

Leia também

empresa conhecida economiapr

Sua empresa é conhecida. Mas é reconhecida pelas pessoas certas?