Investidores de startups avaliam fatores como potencial de crescimento, conhecimento de mercado, estrutura financeira e comprometimento dos fundadores.
Esses critérios foram destacados durante uma banca que reuniu 17 startups e investidores em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, como parte do Programa Trilhar, iniciativa da Agência de Inovação e Desenvolvimento do município com execução do Sebrae/PR.
Entre os participantes estava Claudia Rosa, empresária e investidora-anjo que participou como convidada do programa Shark Tank Brasil. Para ela, o empreendedor precisa demonstrar domínio sobre o mercado em que pretende atuar, conhecer a concorrência e estar diretamente envolvido na operação do negócio.
“O investidor também costuma analisar se o founder é engajado e se está 100% inserido na operação. Ter a certeza de que ele mapeou o mercado e compreende a concorrência também são aspectos relevantes no momento em que um investidor decide apostar em uma determinada ideia”, afirma.
Claudia também considera o Paraná um estado com potencial para desenvolver negócios inovadores, ao lado de São Paulo e Santa Catarina. Na avaliação da investidora, iniciativas de incentivo ao empreendedorismo podem contribuir para ampliar o ecossistema local e favorecer o surgimento de empresas de alto crescimento.
Levantamento da Anjos do Brasil citado no material aponta que os investimentos-anjo no país cresceram 4,2% em 2025, alcançando aproximadamente R$ 919 milhões.
Conexão com investidores começa antes da captação
A localização da startup, segundo Claudia, não é um dos principais fatores considerados na análise de um investimento. A capacidade de crescimento, a estruturação do negócio e o acesso a redes de relacionamento têm maior peso na avaliação.
“O mais importante é que o founder seja visto, participe de eventos e destaque-se nesse ecossistema. Boas conexões, aliadas a um plano de negócios bem estruturado e estratégico, possibilidade de crescimento e coragem, são elementos propícios para que sejam notados por aqueles que podem investir”, orienta.
A preparação também envolve compreender as alternativas de financiamento, organizar informações financeiras e saber apresentar o negócio a potenciais parceiros. A captação, porém, depende da avaliação de cada investidor e não é garantida pela participação em programas ou eventos.
Programa reúne 17 startups em Ponta Grossa
A banca de avaliação realizada no sábado, 24 de outubro, reuniu representantes de 17 startups e os investidores Claudia Rosa, Rafael Althaus e Caroline Gurski. A atividade integrou o Programa Trilhar, desenvolvido pela Agência de Inovação e Desenvolvimento de Ponta Grossa, com execução dos encontros pelo Sebrae/PR.
Segundo Tônia Mansani, presidente da Agência e secretária municipal da Indústria, Comércio e Qualificação Profissional, o programa foi criado para conectar diferentes etapas do desenvolvimento de negócios inovadores.
A iniciativa tem dois percursos. O Expresso Startup é voltado à validação de ideias, enquanto a Plataforma Startup atende empreendedores que já possuem um Produto Mínimo Viável (MVP) e buscam avançar para a incubação ou a captação de recursos. Os percursos podem ser realizados de forma independente ou sequencial.
As primeiras edições são custeadas com recursos de convênio entre a Agência e a Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial do Paraná.
Startup de gestão de resíduos apresenta solução
Uma das empresas participantes foi a EcoNota, que desenvolve uma solução para conectar empresas a cooperativas de reciclagem, com foco na coleta, rastreabilidade e comprovação da destinação de resíduos.
Leonardo Garbuio Cavalheiro, responsável pela startup, afirma que a apresentação foi uma oportunidade de receber avaliações de profissionais com experiência no mercado de inovação e investimentos.
“Foi uma oportunidade muito importante, principalmente por poder apresentar uma ideia de negócio a pessoas que possuem experiência real no mercado de startups e investimentos”, relata.
Entre os avaliadores estava Rafael Althaus, fundador da Laon Ventures, empresa criada em 2025 e sediada em Ponta Grossa. Ele destaca que iniciativas desse tipo podem ampliar a visibilidade de negócios que ainda buscam conexões, recursos e experiência para avançar.
Participação feminina no ecossistema
Caroline Gurski, vice-presidente da rede de investimento-anjo WIM Angels (Women Investment Movement), também integrou a banca. Com quase cinco anos de atuação no setor, ela afirma ter tido contato com mais de 500 startups.
Segundo Caroline, a participação feminina na liderança desses negócios ainda é limitada. Ela cita percentuais entre 19% e 23%, mas a base e o recorte desses números precisam ser considerados para dimensionar o cenário.
“É importante que haja ações que fomentem a participação de mais mulheres na área da tecnologia, tanto como empreendedoras como investidoras-anjo”, afirma.
Checklist: sua startup está preparada para buscar investimento?
A preparação para uma rodada de investimento exige mais do que uma boa ideia. Os pontos a seguir ajudam a identificar aspectos que precisam estar estruturados antes de conversar com potenciais investidores.
- O problema que a startup resolve, o público-alvo e a proposta de valor estão definidos?
- A solução já foi testada com potenciais clientes e passou por ciclos de validação?
- O tamanho do mercado e as oportunidades de crescimento foram mapeados?
- Os principais concorrentes são conhecidos e os diferenciais do negócio estão claros?
- A equipe consegue executar o planejamento e acompanhar os resultados?
- Os fundadores estão comprometidos com a operação e conhecem os indicadores do negócio?
- Há um plano de negócios com objetivos, estratégias e projeções financeiras?
- Caso exista um valuation, a estimativa está fundamentada em dados e premissas consistentes?
- As responsabilidades dos sócios, suas participações e as regras societárias estão documentadas?
- A startup identificou quais fontes de capital são mais adequadas ao seu estágio de desenvolvimento?