Economia PR - Se todo mundo entende errado o que você faz, o erro não é do público

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Se todo mundo entende errado o que você faz, o erro não é do público

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Foto: pressfoto / freppik

Existe uma frase que aparece com frequência em conversas com empresas em crescimento: “o cliente não entende direito o que a gente faz”. E quase sempre ela vem acompanhada de justificativas que parecem razoáveis. “Mas quando a gente explica, ele vê valor”. “Quem conhece, compra”. “O problema é que é complexo”. A leitura mais comum é assumir que existe uma falha do outro lado. A leitura correta costuma ser mais desconfortável.

Se todo mundo entende errado, o problema dificilmente está na interpretação. Está na forma como a mensagem está sendo construída. Porque comunicação não é sobre o que você quis dizer. É sobre o que o outro conseguiu entender. E essa diferença, que parece sutil, é o que separa empresas que crescem com consistência daquelas que vivem dependendo de esforço comercial para compensar ruídos.

Clareza não é um detalhe estético. Ela é um ativo de negócio.

Empresas que conseguem explicar bem o que fazem reduzem atrito, encurtam o ciclo de venda e aumentam a percepção de valor antes mesmo da negociação começar. Isso é especialmente crítico num ambiente em que, segundo dados da Gartner, 80% da jornada de compra B2B já acontece sem nenhum contato direto com o fornecedor.

Ou seja: a etapa do “mas quando a gente explica...” já não é mais requisitada pela maioria dos consumidores. E aí? Como fica a sua situação quando a percepção do seu cliente é tudo que você tem?

A resposta que a maioria das empresas dá a essa pergunta é aumentar o volume. Mais conteúdo, mais canais, mais presença. Só que volume sem clareza não resolve o problema. Ele escala o ruído.

De acordo com levantamento da 6sense com mais de quatro mil compradores, 81% dos decisores já chegam à primeira conversa comercial com um fornecedor preferencial definido. A disputa real acontece antes, na fase em que o cliente ainda está em voo solo. A empresa que não se comunica bem nessa etapa simplesmente não entra na seletiva.

O que costuma estar por trás disso é um problema de perspectiva. Quem está dentro da empresa sabe demais. Conhece cada detalhe do produto, cada nuance do processo, cada diferencial que levou anos para construir. E comunica a partir desse lugar.

O cliente, por definição, sabe de menos (e, cá entre nós, não tem obrigação de se esforçar para entender. Nem vai).

Quando a mensagem é construída de dentro para fora, ela faz sentido para quem já está convencido, mas raramente funciona para quem ainda está avaliando. Segundo dados da Emblaze compilados pela Corporate Visions, vendedores orientados ao problema do cliente são 30% mais eficazes do que os orientados à solução; e ainda assim apenas uma minoria adota essa abordagem na prática.

Esse desalinhamento raramente aparece com esse nome. Ele se disfarça de lead frio, de ciclo de venda longo, de negociação que trava em preço, de mercado que “não valoriza”. Mas valor não percebido, na prática, não existe.

Quando a mensagem começa a encaixar, o efeito é imediato. O cliente certo entende mais rápido, o cliente errado se afasta com menos fricção e o processo comercial para de depender de explicações longas.

Segundo levantamento da Lucidpress com mais de 400 especialistas em gestão de marca, empresas com comunicação consistente registram crescimento médio entre 10% e 20%, com casos que chegam a 23% de aumento de receita.

Marcas que se apresentam de forma coerente em diferentes canais têm três a quatro vezes mais chance de alcançar forte visibilidade — enquanto a apresentação inconsistente é apontada por 71% das próprias empresas como fator direto de confusão no mercado.

No fim, a pergunta não é se o seu cliente entende ou não o que você faz. A pergunta é o quanto a sua comunicação facilita ou dificulta esse entendimento. Porque quando a empresa precisa explicar demais para conseguir vender, dificilmente o problema está do lado de fora. Está na forma como a comunicação foi estruturada.

E esse é um tipo de problema que não se resolve com mais conteúdo, mais esforço ou mais presença. Se resolve com diagnóstico, clareza e direção estratégica

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Editora-chefe do Economia PR. Fundadora da BASIS Comunicação. Community Manager. Acelerada Camila Renaux. Consultoria em Comunicação Estratégica. Prêmio Sangue Bom de Jornalismo (SINDIJOR PR 2014)

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