A segurança pública como pilar do desenvolvimento sustentável. Você já parou para refletir o quanto as forças de segurança pública e econômica, como as polícias, a Receita Federal, a guarda municipal e outros atores protegem os territórios muito além de seus papéis de bem estar social e segurança individual?
Todo investimento envolve projetar o futuro: receitas, despesas, demanda e crescimento, e a segurança é um pré-requisito para esta previsibilidade. Além disso, ambientes marcados por violência ou instabilidade aumentam custos (seguros, logística, perdas, segurança privada e outros), impactam a imagem e o valor da marca e ainda reduzem horizontes de planejamento.
Do ponto de vista prático, basta nos recordarmos de Foz do Iguaçu nos anos 1990 e início dos anos 2000, quando a cidade frequentemente aparecia entre as mais violentas do Paraná e com as maiores taxas de homicídio do estado.
Foi a partir da atuação integrada das forças de segurança pública e de segurança econômica como a RFB, em paralelo a investimentos da Itaipu Binacional – principalmente nos segmentos sociais, ambientais e de turismo e divulgação do destino, que a cidade passou a vivenciar ciclos de investimentos internos e externos.
Outro ponto central é a segurança pública como pilar do ambiente empreendedor. A insegurança favorece os mercados informais e ilícitos, que prejudicam a arrecadação pública e distorcem a concorrência. Quando há melhora na segurança, observa-se frequentemente o fortalecimento de atividades formais, maior circulação de pessoas, dinamização do comércio, da inovação e da menor precarização do trabalho.
Do ponto de vista teórico, a segurança pública poderia ser tratada como um ativo econômico, algo que reduz as incertezas e os custos de transação ao promover um arranjo institucional que viabiliza a geração de riqueza – ideia muito próxima das teorias da Nova Economia Institucional.
Para além do empreendedorismo dos investimentos, a segurança também é um fator-chave para a sustentabilidade urbana. Espaços públicos seguros são mais utilizados, promovem convivência, turismo e atividades culturais.
Por fim, o bê-a-bá de sempre: é importante reconhecer que segurança pública eficaz não se limita à repressão. Os casos mais bem-sucedidos mostram que ela depende de uma abordagem integrada, que combina policiamento qualificado, políticas sociais, planejamento urbano e governança institucional.
Nesse sentido, a segurança deixa de ser apenas um custo do Estado e passa a ser entendida como um investimento estruturante, com efeitos multiplicadores sobre toda a economia. Ainda é importante refletir na segurança pública como vantagem competitiva territorial.
Regiões que conseguem oferecer níveis mais altos de segurança tendem a atrair mais investimentos qualificados, seja para a biodiversidade, para a inovação tecnológica, ou para novos negócios de maior valor agregado.
Para regiões de fronteira, não basta analisar o “CEP” da cidade, também é preciso olhar para os contextos dos países fronteiriços. Isso nos exige uma leitura mais sofisticada sobre os vizinhos. Não se trata apenas de avaliar incentivos fiscais ou custo de mão de obra, mas de entender a capacidade do território de gerenciar riscos, promover a segurança pública e a estabilidade institucional. Territórios complexos, análises complexas.