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Os ativos que não estão nos balanços, mas movem a economia

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Foto: Suelen Bicicgo

Quando pensamos nos ativos de um território, é comum lembrarmos de infraestrutura, recursos naturais, capital, empresas, mão de obra, tecnologia e capacidade produtiva.

Evidentemente são elementos concretos importantes, mas existem outros ativos que, embora não apareçam necessariamente nas estatísticas econômicas ou nos balanços das organizações, também produzem valor e influenciam diretamente a capacidade de um território de se desenvolver. É por isso que esta coluna aborda hoje os termos governança e cooperação.

Governança é a capacidade de diferentes atores de um território coordenarem interesses, responsabilidades, informações e recursos para enfrentar problemas e construir objetivos comuns para o território.

Cooperação é o que permite que essa capacidade se transforme em prática: instituições que compartilham conhecimento, empresas que dialogam com o poder público, universidades que aproximam pesquisa e tomada de decisão, organizações que constroem soluções conjuntamente.

Os efeitos destes ativos aparecem no território principalmente na forma de políticas públicas voltadas para suprir alguma necessidade e na qualidade do planejamento, na capacidade de antecipar problemas, na atração de investimentos, na redução de riscos e na criação de condições mais favoráveis para a atividade econômica.

Em outras palavras, um território não é formado apenas pelos recursos que possui, mas também pela capacidade de seus diferentes atores de mobilizar esses recursos em conjunto.

Essa pode parecer uma afirmação simples, mas carrega um dos grandes desafios do planejamento contemporâneo. Municípios, estados e regiões são espaços complexos, onde questões econômicas, sociais, ambientais, de infraestrutura, segurança e mobilidade se encontram. Nenhuma organização, por mais qualificada que seja, consegue enxergar sozinha todas essas dimensões.

Com isso, um dos grandes desafios territoriais é conectar essas partes para enxergar o todo. Uma experiência recente em Foz do Iguaçu ajuda a ilustrar essa ideia.

Em agosto, representantes de 47 organizações dos setores público e privado, instituições de ensino e pesquisa e organismos nacionais e internacionais se reuniram para discutir um problema particularmente complexo: o crime organizado transnacional e seus impactos sobre as fronteiras.

À primeira vista, poderia parecer uma discussão restrita à segurança pública. Mas basta observar os atores envolvidos para perceber os desdobramentos.

Contrabando, descaminho, tráfico de drogas, crimes ambientais e mercados ilegais afetam a arrecadação, a indústria, a concorrência, a saúde, a segurança, a logística e a própria capacidade de desenvolvimento dos territórios.

No meu artigo do mês de abril, intitulado Sem segurança, não há negócios: o papel central da segurança pública na economiaeu já havia escrito o quanto a segurança pública atua como pilar do ambiente empreendedor e do desenvolvimento sustentável.

As experiências e evidências trazidas no evento trouxeram oportunidades para que gestores públicos transformem essas informações em políticas públicas. E todos esses olhares, quando colocados em diálogo, ajudam a construir uma compreensão mais completa dos problemas e das soluções.

É nesse ponto que a cooperação deixa de ser apenas uma virtude institucional e passa a ser um ativo para o desenvolvimento.

Quando esses conhecimentos são compartilhados, aumentam as possibilidades de identificar problemas antes que eles se agravem, reconhecer oportunidades, direcionar investimentos e construir políticas mais próximas da realidade e isso tem consequências econômicas concretas.

Em outras palavras, cooperação também é ativo econômico. O desenvolvimento territorial depende da capacidade de seus atores de produzir aquilo que poderíamos chamar de uma inteligência coletiva do território: a capacidade de reunir diferentes conhecimentos, transformá-los em informação qualificada e utilizar essa informação para tomar decisões melhores.

Tem seus desafios, mas é democrático e mais assertivo seguir em conjunto. Este perfil de evento também fortalece um modelo de governança em rede, um modelo de articulação horizontal entre os atores interdependentes, como os já citados órgãos públicos, judiciais, policiais, de fiscalização, empresas privadas, dentre outros, que interagem cada vez de forma mais eficaz com objetivos públicos comuns. 

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Jornalista, Doutora em desenvolvimento regional e Pós doutoranda em políticas públicas e desenvolvimento.

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