Economia PR - O que vem depois da Copa: as lições que o varejo e o marketing não podem ignorar

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O que vem depois da Copa: as lições que o varejo e o marketing não podem ignorar

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Foto: Gerada por IA

Alguns brasileiros ainda estão digerindo a eliminação precoce (ou não) da Seleção Brasileira. Outros tentam entender como a Argentina conseguiu virar uma partida praticamente perdida contra o Egito. E há também quem esteja respirando fundo para enfrentar um sentimento conhecido por quem acompanha grandes eventos esportivos: o vazio que fica depois da Copa do Mundo.

Mas, enquanto o torcedor sente falta dos jogos diários, empresas e marcas vivem outro tipo de expectativa. Afinal, o que acontece quando termina um dos maiores catalisadores de consumo, audiência e engajamento do planeta?

A resposta passa longe da ideia de uma “ressaca econômica”. Os dados mostram que a Copa não interrompe o consumo dos brasileiros; ela reorganiza esse consumo.

Segundo levantamento do ICVA/Cielo, as compras em cartão chegaram a cair mais de 50% durante partidas de maior audiência da Seleção.

O fluxo em shopping centers também diminuiu significativamente nos horários dos jogos, enquanto supermercados, bares, restaurantes, serviços de delivery e artigos esportivos registraram crescimento impulsionado pelo comportamento típico do período.

Já análises reunidas por veículos como CNN Brasil, Forbes Brasil, Central do Varejo e Economic News Brasil apontam que o consumidor apenas deslocou suas decisões de compra para antes ou depois das partidas.

Ou seja: o dinheiro não desapareceu. A atenção, sim.

Essa talvez seja a primeira grande lição que a Copa de 2026 deixa para empresas e marcas.

A eliminação do Brasil também trouxe um desafio adicional: de acordo com análises publicadas pelo Times Brasil/CNBC, O Paraná e pela CNDL, muitos varejistas precisaram rever estratégias ainda durante o torneio.

Produtos temáticos perderam força, bares deixaram de contar com o impulso emocional da torcida brasileira e campanhas precisaram mudar de narrativa quase da noite para o dia.

Quem havia construído toda sua comunicação em torno da Seleção precisou encontrar rapidamente um novo motivo para continuar relevante.

Aliás, isso vale até para jogadores. Segundo reportagem da Veja, Neymar chegou a gravar campanhas publicitárias que só seriam veiculadas caso o Brasil conquistasse o tão sonhado hexa. Com a eliminação da Seleção, as ações nunca foram ao ar. Embora não exista confirmação oficial sobre os valores envolvidos, estimativas de mercado apontam que o impacto financeiro pode ter chegado à casa das centenas de milhões de Reais em contratos e campanhas relacionados ao Mundial.

Mas, deixando as cifras milionárias de lado e voltando à realidade da maioria das empresas brasileiras, é justamente aqui que começa o verdadeiro pós-Copa.

Passado o apito final, muitos empresários ainda esperam encontrar uma espécie de “Black Friday do futebol”: um grande movimento de recuperação das vendas. Mas ele simplesmente não existe.

O que ocorre é uma sobreposição de fenômenos. Julho já é, historicamente, um período de liquidações de inverno, especialmente para moda, vestuário e alguns segmentos de bens duráveis.

Segundo análises da Central do Varejo e projeções da Abit, divulgadas por diferentes veículos especializados, esse movimento aconteceria independentemente da realização da Copa. O calendário apenas faz os dois eventos parecerem um único grande ciclo comercial (e precisa ser aproveitada).

Isso significa que insistir em uma comunicação baseada apenas na urgência da Copa tende a perder força rapidamente.

Enquanto isso, outras tendências permanecem.

A edição de 2026 consolidou de vez um comportamento que especialistas já vinham observando: o consumidor assiste ao jogo na televisão, mas interage, pesquisa e compra pelo celular.

Estudos publicados pela Criteo, Consumidor Moderno, SuperHiper e BPMoney mostram que retail media, ofertas em tempo real, QR Codes e experiências em segunda tela deixaram de ser iniciativas experimentais para se tornarem parte da jornada de compra.

A pergunta que fica para as empresas, portanto, não é quantas pessoas foram impactadas durante a Copa. É o que elas aprenderam sobre essas pessoas.

Quem comprou? Quem clicou? Quem interagiu? Quem entrou na base de clientes? Quem voltou pela segunda vez?

Essas respostas têm muito mais valor do que o número de visualizações de uma campanha.

É comum que empresas concentrem boa parte do orçamento em grandes eventos, datas comemorativas ou ações promocionais. O problema é que muitas encerram a estratégia exatamente quando termina o evento.

Na prática, é como investir para conquistar novos clientes e esquecer de construir qualquer relacionamento com eles depois.

O pós-Copa deveria ser justamente o contrário: o momento de transformar um pico de atenção em relacionamento contínuo.

Isso vale para grandes marcas patrocinadoras, mas talvez faça ainda mais diferença para pequenos e médios negócios, que precisam aproveitar cada oportunidade para conhecer melhor seu público e fortalecer sua presença de mercado.

No fim das contas, a Copa deixa uma lição que vai muito além do futebol: eventos passam. Tendências mudam. O hype acaba. Mas empresas que conseguem transformar momentos passageiros em conhecimento sobre seus clientes constroem algo muito mais difícil de copiar: relevância.

Enquanto muitos torcedores ainda tentam preencher o vazio deixado pela Copa, as empresas já deveriam estar olhando para outra pergunta: o que esse Mundial ensinou sobre seus clientes?

Porque o campeonato acaba em campo. Para quem faz negócios, é justamente depois do apito final que começa a próxima temporada.

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Editora-chefe do Economia PR. Fundadora da BASIS Comunicação. Community Manager. Acelerada Camila Renaux. Consultoria em Comunicação Estratégica. Prêmio Sangue Bom de Jornalismo (SINDIJOR PR 2014)

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