Em tempos de lançamentos recorrentes de recursos tecnológicos, a robótica ganhou bastante destaque e espaço nessa discussão. A premissa é clara: automatizar funções e, dessa forma, economizar tempo nas demandas do negócio. No entanto, há uma pergunta dentro dessa temática que não foi tão explorada: as empresas sabem quais são as tarefas que realmente devem ser automatizadas?
O questionamento é válido, uma vez que chama a atenção para os empreendedores – em vez para a tecnologia, como é feito com frequência. O que temos visto nos últimos anos é um aumento gradual de objetivos direcionados a robôs sem a identificação exata de processos repetitivos, previsíveis e de baixo valor estratégico – onde justamente a tecnologia deve entrar.
Avaliado em US$ 88,27 bilhões, o mercado de robótica apresenta, de fato, um leque interessante de opções aos empreendedores. Porém, os recursos podem – e devem – ser utilizados com inteligência. Um exemplo clássico de bom uso dos robôs é no controle de estoque. Quando essa parte não necessita mais de modos manuais, o negócio ganha mais precisão na decisão de compra.
Ainda se tratando de produtos, podemos dizer que a separação de itens e intervenção na logística também são segmentos em que a robótica pode auxiliar consideravelmente. Com a redução de processos administrativos voltados para transporte de mercadorias e separação de pedidos, por exemplo, a ação humana consegue se concentrar ainda mais no planejamento institucional em vez de demandas automáticas.
Outro uso frequente dos robôs está no atendimento ao cliente. No entanto, para garantir uma boa experiência, a tecnologia deve atuar apenas nas etapas iniciais, como triagem e direcionamento das demandas. Depois disso, o ideal é que o atendimento seja assumido por um colaborador, que poderá dar continuidade ao contato com base nas informações já coletadas pela automação.
A produção não deve ser dispensada. Como ocorre em empresas industriais, a robótica pode estar a cargo da montagem, soldagem ou inspeção de qualidade. São casos de tarefas repetitivas que costumam apresentar alto retorno quando automatizadas. Além disso, ainda conseguem ajudar na limpeza de grandes áreas ou inspeção de equipamentos, com a identificação de falhas e diminuição de riscos posteriores.
Os robôs, de fato, vieram para ficar. O auxílio prestado por eles é imprescindível. Entretanto, há atividades que dificilmente deveriam ser totalmente “robotizadas”, especialmente aquelas que dependem de relacionamento, criatividade e tomada de decisão. É primordial lembrar de que automatizar não é reduzir custos, mas sim gerar mais produtividade e reduzir o número de erros nos processos.
O sucesso da automação não está na quantidade de tarefas direcionadas à robótica, mas na escolha correta daquelas em que a tecnologia complementa o trabalho humano e produz resultados concretos para o negócio.