Do texto sem vida ao método replicável para qualquer contexto; das imagens que desconfiguram a essência da marca, do produto, da pessoa ou do movimento aos jargões empresariais “prontos” para motivar.
Da infoxicação às notícias falsas que insistem em circular nos aplicativos de mensagens e nas redes sociais (fique atento, especialmente agora, durante o período eleitoral); do feed do Instagram que, diante de mais uma mudança no algoritmo, preza por uma imagem “autêntica”, acompanhada do mantra “primeiro vive, depois posta”, à tendência de “ficar longe das telas” por um período para melhorar a saúde mental.
Seriam estes indícios de um cansaço da tecnologia?
A IA nos poupa tempo e acelera processos. Usamos a energia que “sobra” para ações mais complexas, diante da tela ou fora dela.
Um estudo recente da McKinsey revelou que 83% das empresas que utilizam IA generativa não observaram “impacto significativo nos resultados financeiros”.
Ou há algo errado nisso tudo que ainda não identificamos, ou estamos fazendo mau uso dela.
Além do uso nas atividades profissionais, as ferramentas de engajamento e conexão instigam o indivíduo a permanecer e a querer mais e mais… ou seja, criam um ambiente de estímulo constante, difícil de desligar. Afinal, a IA não critica, não rejeita, não impõe frustrações.
Os números da conexão digital (somos 76 milhões de domicílios brasileiros conectados à internet (95,0%), segundo dados do IBGE de 2025), que podem soar superficiais, nos fazem retomar o desejo pela conexão presencial e real com outras pessoas.
O “antigo” está de volta: já viu as câmeras fotográficas analógicas nas prateleiras? A nostalgia de quem aprecia a acústica do vinil? Ou, ainda, o estímulo ao DIY (faça você mesmo)?
Movimentos que conectam com o corpo, com o momento presente e tiram sua atenção da tela.
Percebe-se, no mercado, a crescente valorização de hábitos mais conscientes e saudáveis, em uma tentativa de minimizar o caos interno provocado, na mente, pelo mau uso da tecnologia.
Sentimos os reflexos disso na falta de foco e de atenção. A sobrecarga cognitiva gerada pelo excesso de informações e estímulos digitais, que fragmenta o foco humano, não é novo.
Criado em 1971 pelo Nobel de Economia Herbert Simon, o conceito de economia da atenção estabelece que a abundância de informações gera escassez de atenção.
Será que Simon previa o que enfrentamos hoje?
O universo digital nos levou a vídeos ágeis e, muitas vezes, a textos mais curtos e de fácil leitura. Claro que encontramos ótimas análises em muitas plataformas, mas o comportamento da grande maioria das pessoas parece apontar para a opção pelo raso.
Afinal, o aprofundamento exige atenção, interpretação, capacidade de estabelecer correlações, análise de contextos e questionamentos — muito além da simples decodificação de letras e palavras.
Sem atenção, as chances de aprofundamento são ainda mais escassas.
Estamos em um momento crucial: a tecnologia influencia o nosso bem-estar?
O digital acelera, conecta, traz a sensação de pertencimento e a percepção de ganho de tempo. Por outro lado, desconecta do real e alimenta o medo de “não poder ficar de fora”.
Onde está o foco da sua atenção?
A busca pelo bem-estar envolve saber fazer escolhas, inclusive sobre este tema.
Estamos imersos na tecnologia. Não há vilão. É preciso ter poder decisório e com consciência.
Ter discernimento para encontrar ações efetivas para a saúde física e mental, conseguir cuidar da autoestima, abrir espaço para conectar-se com as próprias emoções e com pessoas que fazem bem, além de incorporar bons hábitos à rotina, pensando em benefícios de longo prazo para a qualidade de vida.
O equilíbrio também é fonte de produtividade e de vida.