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Orçamento 2027: o que os dados estão dizendo sobre as pessoas?

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Foto: Imagem gerada por IA

Indicadores, dados, planilhas em mãos: tudo pronto para desenhar o orçamento de 2027?

Setembro é, culturalmente, o mês de elaboração dos orçamentos nas empresas para o exercício do próximo ano. É o momento em que muitos profissionais se sentam para analisar o que deu certo no período em exercício, o que foi ou não foi feito e por quê, quais serão os próximos passos e qual caminho o setor e/ou a área, assim como a companhia, desejam trilhar.

A elaboração de um budget estratégico envolve maior aderência aos projetos que serão desenvolvidos, a fim de pavimentar um caminho mais sólido e tangível à realidade do negócio e dos profissionais envolvidos nesse processo. Sim, conectar orçamento, projetos e competências humanas pode separar uma previsão orçamentária de uma estratégia efetivamente implementável.

Na prática, considerar o fator humano no planejamento orçamentário significa conectar recursos, projetos e pessoas às necessidades reais do negócio.

“Quando se cria uma estratégia sem contabilizar as pessoas que vão precisar sustentá-la e executá-la, isso não é estratégia, é só conta. E vejo que o planejamento orçamentário precisa ir além dos números e valores para entender a realidade da empresa naquele momento”, destaca Sandra Pierozan, psicóloga, com 26 anos de atuação no desenvolvimento humano na área organizacional.

Quando se enxerga o capital humano em sua ampla atuação, visualizando potencialidades, pontos a desenvolver, entregas e o que pode ser otimizado, a organização do plano de metas, objetivos e orçamentos torna-se mais realista.

Dados do Relatório sobre o Futuro dos Empregos 2025 apontam que 39% das principais habilidades necessárias no mercado de trabalho devem mudar até 2030, o que evidencia a necessidade de programas de desenvolvimento continuado nas empresas.

A educação corporativa precisa ir além de plataformas e cursos prontos. Isso não significa abandoná-los, mas compreendê-los como parte de uma estratégia mais ampla, complementar a ações personalizadas para o desenvolvimento do time, considerando as especificidades do negócio e da equipe que nele atua.

Nesse contexto, o envolvimento da liderança e da alta gestão faz a diferença para o engajamento da equipe, sendo um fator decisivo para a adesão e o comprometimento interno com a capacitação.

Mais do que oferecer capacitação, porém, é preciso entender o que a organização precisa desenvolver, em que momento e com qual objetivo.

“Ainda vemos muitas empresas procurando treinamentos quando a situação já está caótica, quase esperando que uma palestra ou treinamento produza um milagre. Em outros casos, o desenvolvimento surge apenas para cumprir uma exigência ou carga horária, ou ainda, atender uma certificação. E aí se perde o que tem de mais importante: que é o valor estratégico do treinamento e do desenvolvimento das pessoas”, salienta Pierozan.

O mapeamento dos riscos psicossociais, por exemplo, traz indicadores relevantes para que a alta gestão, em conjunto com as áreas estratégicas da empresa, possa analisar quais fatores de trabalho precisam ser revistos, onde estão as fragilidades e as maiores tensões do negócio, a fim de direcionar com mais assertividade os investimentos de cada área.

Um dos grandes desejos das organizações é encontrar profissionais com múltiplas competências, capazes de trazer soluções ao segmento e dar suporte à expansão. Contudo, quando não se dá amparo para o desenvolvimento dessas competências, as frustrações aparecem, gerando problemas de engajamento e quebra de expectativas em ambas as partes: empregado e empregador.

“Desenvolvimento humano não deveria entrar no orçamento quando ‘sobra’ dinheiro. Deveria entrar quando se pensa no futuro e na constância do negócio”, comenta Pierozan.

Segundo a consultoria Deloitte, empresas organizadas por competência têm 57% mais chance de antecipar mudanças de mercado e 98% mais chance de reter profissionais de alto desempenho.

Quando se fala em alto desempenho, desejado por tantos negócios, é preciso observar o profissional em sua completude: habilidades técnicas, emocionais e organizacionais, o que envolve capacidade de aprender e desaprender, estrutura para resolução de problemas complexos, só para citar duas competências valorizadas globalmente, de acordo com o Fórum Econômico Mundial.

“Talvez a pergunta não seja ‘quanto vamos investir em treinamento em 2027?’, mas o que os nossos indicadores estão dizendo que os nossos colaboradores precisam desenvolver para sustentar a estratégia que vamos e queremos desenhar para o negócio”, alerta Pierozan.

Capacitar e desenvolver os profissionais é imprescindível para qualquer negócio. Afinal, o bom andamento de processos, projetos e iniciativas vai além do uso de equipamentos de última geração ou da inteligência artificial como facilitadores.

Afinal, orçamento não é apenas uma previsão de quanto a empresa pretende gastar, mas a decisão sobre quais capacidades ela pretende construir para chegar onde deseja.

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Jornalista especialista em mídias digitais, negociação empresarial e Comunicação e Expressão.

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